O documentário Da Aldeia à Universidade, produzido no Tocantins, está representando o estado na 30ª edição do Festival do Audiovisual CinePE, um dos eventos mais tradicionais e prestigiados do cinema brasileiro. A produção concorre na Mostra Competitiva de Curtas-Metragens Nacionais e também disputa o prêmio do Júri Popular, categoria definida pelos votos do público.
Realizado pelos diretores Leandro de Alcântara e Túlio de Melo, o filme aborda a trajetória dos indígenas Srowasde Xerente e Krtadi Xerente, acompanhando os desafios enfrentados por jovens que deixam suas aldeias para ingressar no ensino superior. O documentário retrata os impactos dessa transição, os conflitos culturais vividos durante a experiência universitária e as transformações provocadas pelo encontro entre os saberes tradicionais indígenas e o ambiente acadêmico.
A participação da obra ganha ainda mais relevância por marcar um momento histórico para o audiovisual tocantinense. Segundo Túlio de Melo, é a primeira vez que um filme produzido no Tocantins integra a competição do CinePE, festival que há três décadas reúne algumas das principais produções cinematográficas do país e serve de vitrine para novos realizadores brasileiros.
“O CinePE está entre os principais festivais de cinema do Brasil e é considerado o maior festival de cinema do Nordeste. Para nós, é algo muito importante poder representar o Tocantins em um evento desse porte”, destaca o diretor em entrevista ao Jornal Primeira Página.
Festival reúne produções de todo o país
A 30ª edição do CinePE começou no último domingo (1º) e segue até o dia 7 de junho, em Recife. A programação inclui mostras competitivas de curtas e longas-metragens, exibições especiais, debates, entrevistas coletivas, homenagens a artistas e encontros voltados ao setor audiovisual. As atividades acontecem em espaços tradicionais da capital pernambucana, como o Teatro do Parque e o Cinema São Luiz, considerados referências para o cinema nacional.
Neste ano, o festival reúne produções de diferentes estados brasileiros, consolidando seu papel como uma das principais vitrines do audiovisual independente no país. A edição também celebra os 30 anos de história do evento, que ao longo das últimas décadas se tornou um espaço de lançamento para filmes, diretores e atores que posteriormente ganharam projeção nacional.
Disputa do Júri Popular
Além da avaliação do júri oficial do festival, o documentário também participa da votação do Júri Popular, modalidade em que o público escolhe suas produções favoritas entre os filmes exibidos durante o evento.
Para a equipe do filme, a participação na competição representa uma oportunidade de ampliar a visibilidade das histórias indígenas produzidas no Tocantins e levar ao público nacional narrativas que raramente ocupam espaço de destaque nos grandes circuitos do cinema brasileiro.
A exibição do curta integra a Mostra Competitiva de Curtas-Metragens Nacionais do CinePE, ao lado de produções de diferentes regiões do país.
Entre os destaques da programação está a presença de artistas consagrados do cinema e da televisão brasileira. Na abertura do festival, a atriz Thaís Araújo participou da estreia de uma das produções exibidas na mostra competitiva, reforçando a relevância nacional do evento.
História indígena chega ao público nacional
Com 16 minutos de duração, Da Aldeia à Universidade apresenta uma reflexão sobre educação, identidade cultural e pertencimento. O documentário acompanha indígenas Xerente que decidiram buscar formação universitária sem abrir mão de suas origens, revelando os desafios enfrentados para conciliar os conhecimentos tradicionais de suas comunidades com as exigências da vida acadêmica.
A obra também evidencia uma realidade vivida por muitos jovens indígenas brasileiros: a necessidade de deixar suas comunidades para acessar oportunidades de formação profissional, enfrentando barreiras culturais, linguísticas e sociais ao longo desse processo.
Além da direção de Leandro de Alcântara e Túlio de Melo, o filme conta com assistência de direção de Romário Srowasde Xerente, produção de Getúlio Barros de Melo, fotografia de Keven Lopes e trilha sonora original de Heitor Martins Oliveira. O elenco é formado pelos próprios indígenas Srowasde Xerente e Krtadi Xerente, protagonistas da narrativa documental.