A Polícia Civil concluiu a investigação sobre a morte de Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos, e decidiu indiciar o pai da criança, Igor Veloso de Sousa, pelos crimes de vicaricídio, estupro de vulnerável, tortura e fraude processual. A companheira dele também foi indiciada por vicaricídio e fraude processual.
A informação foi divulgada pela Polícia Civil em coletiva de imprensa nesta segunda-feira (28), após a conclusão do inquérito. O delegado Eduardo Menezes, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), explicou que elementos colhidos durante a investigação sustentam o indiciamento por vicaricídio, conforme previsto no Código Penal.
O resultado final da investigação aponta que a morte da criança teria sido usada como forma de provocar sofrimento e punir a mãe, Sabrina da Silva Feitosa. Segundo a Polícia Civil, esse contexto levou ao enquadramento do caso como vicaricídio, crime recentemente incluído no Código Penal pela Lei nº 15.384/2026.
Os investigadores afirmam que elementos encontrados no local da morte, o laudo cadavérico e o histórico familiar foram analisados para reconstruir a violência à qual a criança teria sido submetida.
Polícia aponta histórico de ameaças contra a mãe
Durante a apresentação das conclusões do inquérito, a Polícia Civil reconstruiu o relacionamento entre Igor e Sabrina. Os dois teriam se conhecido profissionalmente em 2021, quando ele ofereceu a ela um trabalho de secretária. Posteriormente, iniciaram um relacionamento, do qual nasceu Gustavo, em 10 de janeiro de 2023.
Segundo a investigação, ainda durante a gravidez começaram comportamentos de controle contra Sabrina. Dez dias depois do nascimento da criança, Igor teria demitido a mãe do menino, que passou a relatar dificuldades financeiras.
A polícia também apontou episódios posteriores de ameaças. Em uma das situações investigadas, Igor teria enviado áudios com ameaças de morte contra Sabrina. Ela conseguiu uma medida protetiva, mas, segundo a investigação, ele teria desrespeitado a determinação e ido até a residência da mulher, onde atingiu o portão.
Os investigadores consideraram esse histórico para analisar a motivação atribuída à morte da criança. Conforme explicado durante a apresentação do resultado, o vicaricídio ocorre quando alguém mata uma pessoa ligada afetivamente a outra com o objetivo de causar sofrimento, punição ou exercer controle sobre esta.
Outro elemento considerado foi a forma como Gustavo era tratado em comparação aos outros filhos de Igor.
Segundo a Polícia Civil, foram colhidos relatos indicando que os dois filhos do primeiro casamento recebiam tratamento diferente. A investigação apontou que Gustavo retornava machucado das visitas com o pai, enquanto situações semelhantes não eram relatadas em relação aos outros filhos.
Para os investigadores, essa diferença foi um dos elementos considerados na apuração da hipótese de que as agressões contra Gustavo estavam relacionadas à intenção de atingir a mãe da criança.
Investigação contra mãe e advogada foi encerrada
O resultado ocorreu no mesmo dia em que a Justiça determinou o trancamento definitivo da investigação contra Sabrina e contra a advogada Stella Bueno. O juiz da 3ª Vara Criminal de Palmas concluiu que não havia justa causa para manter as duas como investigadas.
No caso de Sabrina, a Justiça considerou o histórico de ameaças, violência e vulnerabilidade vivido pela mãe, além das medidas adotadas por ela em busca de atendimento médico e auxílio da rede de proteção para o filho.
Em relação à advogada, o juiz entendeu que as informações sobre o caso chegaram a Stella durante o exercício profissional e estavam protegidas pelo sigilo entre advogada e cliente.