Dois dias após a interdição total da ponte sobre o Rio Tocantins, na BR-235, entre Pedro Afonso e Tupirama, que era mais próximo a BR-153, moradores enfrentam dificuldades para entrar e sair da cidade. Sem passagem para carros, ônibus e caminhões, a população passou a depender de barcos, canoas e rotas alternativas por estradas mais longas e precárias.
Em entrevista ao Jornal Primeira Página, a secretária municipal de Turismo, Cultura e Esporte, Ramiza Barnabé, afirmou que o município foi surpreendido pela decisão do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) de bloquear totalmente a estrutura.
Município esperava restrição parcial
Segundo Ramiza, o DNIT vinha realizando visitas técnicas à ponte e já havia identificado fragilidade estrutural na construção.
Inicialmente, a informação repassada ao município era de que haveria apenas restrição para veículos acima de 12 toneladas, com instalação de balança e travessia complementar por balsa.
“No dia seguinte eles mudaram a decisão e fecharam completamente a ponte. Nem ônibus nem carros puderam mais passar”, relatou.
Travessias improvisadas
Desde a interdição, moradores têm atravessado o Rio Tocantins em pequenas embarcações entre Pedro Afonso e Tupirama.
As vans responsáveis pelo transporte de passageiros permanecem estacionadas do outro lado da margem, enquanto passageiros fazem a travessia em barcos e canoas.
“Os carros ficam de um lado e as pessoas atravessam pelo rio”, explicou a secretária.
Sem a ponte, o acesso rodoviário passou a ser feito por desvio via Tocantínia ou via Itacajá.
A rota entre Palmas e Pedro Afonso, que passava pela BR-153 e é toda asfaltada, agora terá que ser feita via Tocantinia, onde grande parte do trecho é composta por estrada de terra e pontes de madeira.
Enquanto isso, o Governo do Tocantins e a prefeitura tentam viabilizar a instalação emergencial de uma balsa para veículos na região.
Baixo nível do rio
Segundo Ramiza Barnabé, equipes técnicas já realizam estudos para definir o local de instalação da balsa.
No entanto, o nível baixo do Rio Tocantins e a presença de bancos de areia preocupam a rota que será feita a travessia das balsas.
Uma balsa menor que operava em outra região próxima precisou suspender atividades após dificuldades de navegação causadas pelo baixo nível do rio.
A interdição também já provoca preocupação entre comerciantes e empresários da cidade.
Segundo a secretária, há receio de aumento nos custos logísticos e repasse de preços aos consumidores.
“A preocupação é como os produtos vão chegar até Pedro Afonso e o encarecimento disso tudo”, afirmou.
Cidade revive sensação de isolamento
Com 179 anos de história, Pedro Afonso conviveu por menos de duas décadas com a ponte em funcionamento.
Agora, a população volta a enfrentar dificuldades semelhantes às do período anterior à construção da estrutura.
“Já enfrentamos muitas barreiras ao longo da história. Essa será mais uma”, disse Ramiza.