Os rios Tocantins e Araguaia atravessam um período de estiagem que preocupa especialistas e órgãos de monitoramento. De acordo com o mais recente Boletim de Impactos de Extremos de Origem Hidro-Geo-Climático, divulgado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), a bacia Tocantins-Araguaia apresenta condições de seca que variam entre severa e extrema, colocando a região entre as mais afetadas do país.
O levantamento considera dados observados em maio e projeções para o trimestre de junho a agosto, período que corresponde à estação seca em grande parte do Tocantins. A expectativa é de que os rios da bacia apresentem vazões abaixo da média histórica, indicando menor volume de água circulando pelos cursos d’água nos próximos meses.
Bacia está entre as mais afetadas do Brasil
Segundo o Cemaden, a situação da bacia Tocantins-Araguaia está entre as que mais exigem atenção no monitoramento nacional. O diagnóstico aponta que grande parte da região já registra déficit hídrico significativo, resultado da redução das chuvas observada nos últimos meses.
O cenário acompanha uma tendência identificada em outras áreas do Centro-Oeste e da Amazônia Legal, mas com intensidade maior em diversos trechos dos rios Tocantins e Araguaia.
Serra da Mesa é a única área com situação menos crítica
Entre os pontos monitorados pelo órgão federal, apenas a região da Usina Hidrelétrica Usina Hidrelétrica Serra da Mesa, localizada nas cabeceiras do rio Tocantins, apresenta uma condição considerada menos grave. Nessa área, a seca foi classificada como moderada.
Nos demais trechos avaliados, os indicadores apontam seca severa ou extrema, refletindo a baixa reposição hídrica e a diminuição dos níveis dos rios ao longo dos últimos meses.
Oeste do Tocantins concentra áreas de maior preocupação
O boletim também destaca o oeste tocantinense como uma das regiões mais impactadas pela estiagem. O mapa elaborado pelo Cemaden mostra municípios inseridos em áreas classificadas entre seca moderada e severa.
Além do Tocantins, condições semelhantes foram identificadas em partes do centro-sul do Pará, norte do Amazonas, leste do Mato Grosso e sul de Goiás. Essas regiões formam um corredor de estiagem que vem sendo acompanhado pelos órgãos federais de monitoramento climático.
Menor vazão significa menos água nos rios
Um dos principais alertas do estudo está relacionado à previsão de vazões abaixo da média histórica para os próximos meses. Na prática, isso significa que os rios deverão transportar menos água do que o normal para esta época do ano.
A redução das vazões pode provocar queda nos níveis dos rios, dificultar a navegação em alguns trechos e aumentar a pressão sobre os reservatórios utilizados para geração de energia e abastecimento humano.
Agropecuária e abastecimento podem sentir os efeitos
Embora o relatório não apresente projeções específicas para cada município tocantinense, o Cemaden destaca que períodos prolongados de estiagem costumam gerar impactos em diferentes atividades econômicas.
Entre os setores mais sensíveis estão a agropecuária, que depende da disponibilidade de água para irrigação e dessedentação animal, além do abastecimento urbano e da produção de energia elétrica. A bacia Tocantins-Araguaia concentra importantes reservatórios hidrelétricos responsáveis pelo fornecimento de energia para diferentes regiões do país.
Período seco também aumenta risco de queimadas
O alerta ocorre justamente no início da fase mais seca do ano no Tocantins. Historicamente, os meses entre junho e setembro registram baixos índices de chuva, umidade reduzida e aumento das temperaturas.
Essas condições favorecem a ocorrência de incêndios florestais e queimadas, fenômenos que costumam se intensificar à medida que a vegetação perde umidade e os níveis dos rios diminuem.
Cenário contrasta com parte da Amazônia
Enquanto a bacia Tocantins-Araguaia enfrenta previsão de menor disponibilidade hídrica, outras regiões do país apresentam comportamento diferente. O relatório aponta que rios da Amazônia Ocidental, como o Rio Juruá e o Rio Solimões, registram vazões acima da média para o período.
A diferença evidencia como os efeitos climáticos têm ocorrido de forma desigual entre as regiões brasileiras, com algumas áreas enfrentando excesso de água e outras convivendo com estiagem prolongada.
Monitoramento seguirá durante os próximos meses
Segundo o Cemaden, as condições hidrológicas da bacia continuarão sendo acompanhadas ao longo de todo o período seco. O objetivo é avaliar possíveis impactos sobre os recursos hídricos, a produção agrícola, a geração de energia e outras atividades dependentes da disponibilidade de água.
Com a previsão de manutenção da estiagem nos próximos meses, o monitoramento deve servir de base para ações de prevenção e planejamento por parte dos órgãos públicos e setores econômicos afetados.