Os avanços da inteligência artificial e o aumento da desinformação exigem que cursos de jornalismo reforcem a formação crítica e ética dos estudantes. A avaliação é da professora da Universidade Federal do Tocantins e presidente da Associação Brasileira de Ensino de Jornalismo, Marluce Zacariotti.
A pesquisadora participa do 25º Encontro Nacional de Ensino de Jornalismo (ENEJor), realizado na Universidade de Brasília, onde destacou que a confiança social no jornalismo depende do fortalecimento desses princípios.
IA deve ser tratada de forma transversal
Segundo a professora, em entrevista a Agência Brasil, não é necessário criar disciplinas específicas sobre inteligência artificial ou desinformação. Para ela, esses temas devem ser trabalhados de forma integrada ao longo da formação.
A proposta é que a pedagogia do jornalismo reforce o papel tradicional da profissão, com foco na apuração, verificação de dados e responsabilidade social.
Formação deve valorizar o papel humano
A especialista destacou que as tecnologias devem ser usadas como ferramentas de apoio, sem substituir o olhar crítico do jornalista.
“O desafio é não negar essas tecnologias, mas aprender a utilizá-las de forma responsável e ética”, afirmou.
Ela também ressaltou a importância da extensão universitária e do contato com diferentes públicos como parte do processo de formação.
Desinformação exige educação midiática
Para enfrentar o avanço da desinformação, a pesquisadora defende o investimento em educação midiática, para que a população compreenda o funcionamento do sistema de comunicação.
Segundo ela, é necessário diferenciar o trabalho jornalístico de conteúdos produzidos por influenciadores, que muitas vezes são confundidos pelo público.
Mudanças no sistema midiático
A professora também apontou que o cenário atual é marcado pela atuação das grandes plataformas digitais, que passaram a exercer forte influência na circulação de informações.
De acordo com ela, o ambiente digital, baseado em algoritmos, exige que o jornalismo priorize ética e pensamento crítico antes da técnica.
Presença e troca seguem essenciais
Outro ponto destacado é a importância da formação presencial, devido ao caráter coletivo da atividade jornalística.
Para a pesquisadora, a troca de experiências em sala de aula e nas redações contribui para o desenvolvimento profissional e para a qualidade do trabalho jornalístico.