Os depoimentos de Igor Gustavo Veloso de Sousa e Kathellen Moreira, pai e madrasta de Gustavo Veloso, revelam as versões apresentadas pelos dois sobre as últimas horas da criança antes de ser encontrada morta na casa do pai, em Palmas. Os dois estão presos preventivamente desde 5 de agosto e são investigados por homicídio duplamente qualificado e tortura.
A TV Anhanguera teve acesso aos depoimentos prestados durante a investigação. Igor afirmou à polícia que acreditava inicialmente que o filho tivesse sofrido um afogamento na piscina da residência. Já Kathellen relatou aos investigadores como teria sido a movimentação dentro e fora da casa naquela manhã.
As versões, no entanto, passaram a ser confrontadas pela investigação depois que a perícia apontou que Gustavo apresentava múltiplas lesões, hemorragia interna e laceração intestinal, além de marcas de agressões no rosto. O inquérito ainda está em andamento e, até o momento, o Ministério Público do Tocantins (MPTO) não ofereceu denúncia.
Pai disse que se distraiu enquanto menino estava na piscina
Em depoimento, Igor contou que havia levado Gustavo para tomar banho de piscina e que, em determinado momento, teria se distraído usando o celular.
Segundo a versão apresentada por ele, quando percebeu a situação, retirou o filho da piscina. Igor afirmou que, naquele momento, interpretou o ocorrido como um afogamento.
Depois disso, disse ter dado banho no menino e o colocado para dormir. Conforme o depoimento, posteriormente percebeu que o corpo da criança estava com uma temperatura diferente, mas inicialmente relacionou isso ao ar-condicionado.
Igor afirmou que somente pela manhã percebeu que havia algo errado e tentou acordar o filho.
Madrasta relatou movimentação na casa durante a manhã
Kathellen também detalhou aos investigadores o que teria ocorrido naquela manhã. Segundo ela, por volta das 6h, Igor foi até o quarto onde ela estava e, posteriormente, retornou para outro cômodo.
A madrasta afirmou que, quando entrou no quarto de Igor para buscar um medicamento, viu Gustavo deitado. Questionada pelo delegado Eduardo Menezes se havia percebido algo de errado com a criança naquele momento, respondeu que não.
Segundo o depoimento, ela voltou a dormir em outro quarto. Por volta das 9h, Igor teria pedido que ela saísse com ele.
Kathellen contou ainda que os dois ficaram circulando de carro, sem destino definido, em direção a Lajeado. Ela disse que chegou a retornar à residência antes de sair novamente.
Perícia encontrou sinais de violência
Após os primeiros depoimentos, Igor e Kathellen foram liberados e não acompanharam a vistoria realizada pela polícia na residência.
Durante os trabalhos periciais, porém, os investigadores identificaram elementos que colocaram as versões apresentadas sob suspeita. Posteriormente, o delegado responsável pelo caso, Eduardo Menezes, foi informado pelo Instituto Médico Legal (IML) de que a morte não teria sido provocada por afogamento e apresentava indícios de crime.
Segundo o laudo pericial, ao qual o g1 teve acesso, a morte ocorreu com “crueldade, insensibilidade, indiferença e multiplicidade de lesões”.
A perícia apontou hemorragia interna, lesões no rosto e laceração intestinal.
O pedido de prisão do casal foi apresentado à Justiça cerca de 48 horas após a morte. Conforme a investigação, aparelhos celulares teriam sido escondidos antes das prisões.
Inquérito ainda não foi concluído
Igor e Kathellen permanecem presos preventivamente. A participação de cada investigado na morte de Gustavo continua sendo apurada e a investigação ainda não foi concluída.
A Secretaria da Segurança Pública do Tocantins (SSP-TO) informou que diligências continuam sendo realizadas e que não divulgará outras informações neste momento para não comprometer as apurações.
A defesa do casal afirmou que Igor e Kathellen estão colaborando, dentro dos limites legais, e permanecem à disposição das autoridades para o esclarecimento dos fatos.
O MPTO também informou que acompanha o caso e aguarda a conclusão do inquérito. Somente depois de receber os autos, o promotor responsável deverá analisar os elementos reunidos e decidir quais medidas serão adotadas, inclusive sobre eventual denúncia.
A Justiça já negou dois pedidos de habeas corpus apresentados pela defesa de Kathellen. Apesar de ela ter uma filha bebê, foi considerado que a criança está sob os cuidados da avó e que os fatos investigados são graves.
Com informações g1 Tocantins