O Ministério Público do Tocantins (MPTO), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrou nesta terça-feira (30) uma operação para desarticular um dos principais núcleos de atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) no estado. A ação teve como alvo integrantes apontados como responsáveis por impor regras internas, aplicar punições e manter o controle territorial da facção em diferentes municípios tocantinenses.
Foram cumpridos 13 mandados de prisão preventiva e 14 mandados de busca e apreensão, além do bloqueio judicial de aproximadamente R$ 1 milhão em ativos financeiros ligados aos investigados. As diligências ocorreram simultaneamente em Araguaína, Gurupi, Guaraí, Paraíso do Tocantins e Porto Nacional.
Investigação aponta atuação do chamado “Tribunal do Crime”
Segundo o Gaeco, a operação é resultado das investigações da Operação Regresso II, desdobramento de uma ação anterior que já havia identificado integrantes da organização criminosa atuando no Tocantins.
A nova fase da investigação teve origem na análise de celulares apreendidos durante a primeira operação. De acordo com o Ministério Público, o conteúdo dos aparelhos revelou uma estrutura criminosa mais ampla e organizada do que a inicialmente identificada.
As apurações apontam a existência de um núcleo responsável pelo chamado “Tribunal do Crime”, mecanismo utilizado pela facção para julgar integrantes, impor regras internas e aplicar punições.
Conforme a investigação, os suspeitos exerciam a função conhecida dentro da organização como “disciplina”, encarregada de fiscalizar o cumprimento das normas do grupo, cobrar condutas dos membros e garantir o domínio territorial em diferentes regiões do estado.
Facção também é investigada por lavagem de dinheiro
Além da atuação ligada à violência e ao controle interno da facção, o Gaeco identificou indícios de um esquema de lavagem de dinheiro utilizado para ocultar recursos provenientes de atividades criminosas.
Segundo o Ministério Público, os valores eram movimentados por meio de transferências eletrônicas, principalmente via PIX, para contas utilizadas na concentração e circulação dos recursos da organização.
Na decisão que autorizou a operação, a Justiça determinou o sequestro de cerca de R$ 1 milhão para interromper o fluxo financeiro utilizado pelo grupo.
Organização tinha divisão de funções, diz MP
De acordo com a representação apresentada pelo Gaeco, os elementos reunidos durante a investigação indicam a existência de uma organização criminosa estruturada, com divisão de tarefas, atuação permanente e mecanismos próprios de controle interno.
O Ministério Público aponta ainda a prática de crimes relacionados ao tráfico de drogas, lavagem de capitais e violência organizada.
Operação mobilizou forças de segurança
A operação contou com apoio de diversas forças de segurança estaduais.
Participaram da ação equipes da Polícia Militar, incluindo o Grupo de Operações com Cães (GOC) e efetivos do 5º e 8º Batalhões. Também atuaram servidores da Polícia Penal, por meio da Superintendência, Diretoria de Operações e serviço reservado da corporação.
A Polícia Civil também integrou a operação, com equipes da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Dracco), Grupo de Operações Táticas Especiais (Gote) e delegacias regionais de Gurupi, Porto Nacional, Paraíso do Tocantins, Guaraí e Araguaína.