Sandra Miranda – Jornalista e advogada
Existe um outro lado na terceirização da administração das UPAs Norte e Sul, em Palmas, que poucos querem enxergar. Em primeiro lugar, não é fácil o controle da frequência de servidores efetivos. Uma determinada médica, parente de um político de oposição, gosta muito de viver de atestado médico, e com isso não comparece para trabalhar na UPA, assim como ocorre com outros profissionais, desfalcando de forma frequente os plantões.
Outro fato é que vários setores nas UPAs já eram terceirizados, como laboratórios de exames, segurança, limpeza, alimentação, lavanderia e manutenção de equipamentos. Ficaria muito mais fácil para a prefeitura de Palmas fiscalizar e cobrar eficiência de uma só entidade. Lamentável a decisão de uma desembargadora do Tribunal de Justiça, suspendendo o processo que já estava em pleno andamento, e com isso, provocando vários transtornos para todos os envolvidos.
Os servidores das UPAs já tinham recebido treinamentos e foram realocados nas UBSs e USFs, a administração municipal estava em plena transição, e a população de Palmas já tinha começado a colher os primeiros resultados, com melhorias no atendimento, e a introdução de pediatria e ortopedia nas UPAs, já com mais de mil atendimentos nessas duas especialidades.
O juiz de primeira instância não viu os motivos que a desembargadora viu para conceder a liminar/cautelar, e com isso a terceirização, que veio para modernizar o atendimento, já estava seguindo o seu curso. A prefeitura deve estar recorrendo desta decisão e vou torcer para que ela seja revertida. No Brasil atual tudo parece ser uma grande politicagem, com adversários buscando holofotes até em setores sensíveis como a saúde.
E só para lembrar: desde o ano passado tenho ido com frequência buscar tratamento na UPA Norte, como já publiquei. Nos últimos dias já fui uma duas vezes. Não tenho e nunca tive plano de saúde. Sou uma cidadã comum, que deseja que a rede municipal de saúde melhore cada vez mais, assim como a rede estadual, que tem deixado muito a desejar, problema que parece eterno, e passa de governadores em governadores. Situação que necessita de um basta!