Duas das principais pontes federais do Tocantins seguem interditadas após avaliações estruturais realizadas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). A estrutura da BR-235, entre Pedro Afonso e Tupirama (interditada desde 20/5), inaugurada no governo de Marcelo Miranda em 2007 ao custo de quase R$100 milhões, e a da BR-230, entre Araguatins (TO) e Palestina do Pará (PA) (interditada desde 14/5), foram fechadas após a identificação de riscos estruturais, impactando diretamente o transporte de moradores, cargas e mercadorias.
Em Pedro Afonso, a situação mais recente ainda não teve solução prática. Apenas uma balsa da empresa Pipes Empreendimentos chegou ao município no sábado (23), mas a travessia segue sem operação e a previsão é que comece apenas na quarta-feira (27) desta semana.
Travessia improvisada e desvios
Desde o fechamento da ponte, moradores passaram a atravessar o rio em barcos e canoas, enquanto veículos e vans aguardam passageiros nas margens.
Sem a travessia rodoviária, motoristas precisam recorrer a desvios por Tocantínia e Itacajá. O trajeto alternativo inclui trechos de estrada de terra e pontes de madeira, aumentando o tempo de viagem e os custos do transporte.
A autorização para operação da balsa foi publicada pelo Governo do Tocantins em caráter emergencial. A medida busca minimizar os impactos causados pela interdição após o agravamento de fissuras, surgimento de novas trincas e sinais de comprometimento identificados pelo DNIT.
Ponte de Araguatins ficou mais de um mês sem balsa
A situação também afeta a Ponte Transaraguaia, na BR-230, entre Araguatins e Palestina do Pará. A estrutura está interditada desde 17/4/2026 após o DNIT identificar problemas estruturais considerados graves durante inspeções realizadas entre fevereiro e abril.
Mesmo com o bloqueio da principal ligação entre o Bico do Papagaio e a região de Carajás, a travessia por balsas começou a operar apenas nesta segunda-feira (25), mais de um mês após a interdição.
Inaugurada em 2010 ao custo de R$71 milhões, a ponte é considerada estratégica para o transporte interestadual de cargas, passageiros e abastecimento regional. Segundo o DNIT, a estrutura deverá ser totalmente reconstruída e o processo licitatório da nova ponte deve começar ainda este ano.
Fiscalizações aumentaram após queda da Ponte JK
As interdições ocorrem em meio ao reforço das fiscalizações em pontes federais após o colapso da Ponte Juscelino Kubitschek, entre Maranhão e Tocantins, em dezembro de 2024.
Segundo perícia da Polícia Federal, a estrutura cedeu após problemas relacionados à falta de manutenção, desgaste estrutural e perda da capacidade de carga. Desde então, o DNIT ampliou as inspeções em pontes consideradas estratégicas na região Norte.