De R$ 3,6 mil para R$ 269 mil: gasto com combustível vira alvo do MP em Tocantínia

As despesas com combustíveis da Prefeitura de Tocantínia, localizada a cerca de 70 km da capital, saltaram de R$ 3.674,88 em janeiro para R$ 269.835,33 em abril de 2026. O aumento entrou na mira do Ministério Público do Tocantins (MPTO), que abriu um procedimento preparatório para apurar possíveis irregularidades nos gastos.

A investigação é conduzida pela 2ª Promotoria de Justiça de Miracema do Tocantins. A portaria, assinada pela promotora de Justiça Anelise Schlickmann Mariano, consta no Diário Oficial do MPTO desta terça-feira, 15.

No primeiro quadrimestre deste ano, os pagamentos destinados ao abastecimento aumentaram mais de 7.200% em três meses, considerando os valores registrados em janeiro e abril.

Além da variação nas despesas, a promotoria apura uma denúncia sobre a suposta utilização indevida de veículos da frota municipal em eventos particulares realizados nos dias 11, 24 e 25 de abril. As datas são associadas a celebrações pelo aniversário do prefeito João Alberto Coelho Machado (Republicanos), que completou aniversário no dia 10.

MP cobra documentos da Prefeitura

O Ministério Público deu prazo de dez dias para que o Executivo municipal apresente cópias integrais dos processos de contratação e compra de combustíveis realizados em 2026.

Também foram solicitados notas fiscais, comprovantes de liquidação, ordens de abastecimento e diários de bordo da frota, além de esclarecimentos documentados sobre os veículos que estavam em circulação nas datas mencionadas na denúncia.

Nos autos do procedimento, a promotoria ressaltou que uma resposta preliminar apresentada anteriormente pelo município não veio acompanhada de documentos que comprovassem rotas, condutores, quantitativos e placas dos veículos atendidos. Por isso, a apuração foi convertida em procedimento preparatório para aprofundar as verificações.

Prefeito atribui aumento à retomada dos serviços

Em entrevista por telefone ao Jornal do Tocantins, o prefeito João Alberto Coelho Machado afirmou que, durante janeiro e fevereiro, a Prefeitura mantém o maquinário de obras e a frota escolar parados em razão do período de férias. Segundo ele, o aumento posterior nos gastos ocorreu com a retomada das atividades públicas.

O prefeito também declarou que os gastos com combustíveis durante sua gestão estão em patamares menores do que os registrados em administrações anteriores.

João Alberto afirmou ainda ao veículo que a Prefeitura executou um volume expressivo de obras no município neste ano, incluindo abertura e recuperação de estradas em reservas indígenas. Segundo o gestor, essas frentes de trabalho demandaram maior consumo de combustível pelas máquinas pesadas.

Prefeitura nega uso particular da frota

Em nota encaminhada ao Jornal do Tocantins, a Prefeitura de Tocantínia negou a utilização de veículos públicos para atividades particulares e classificou a denúncia como “leviana e infundada”. A administração afirmou que a frota municipal é utilizada exclusivamente para atividades oficiais.

Sobre a diferença entre os gastos de janeiro e abril, a Prefeitura informou ao veículo que a variação decorre da dinâmica dos serviços municipais. Segundo a administração, janeiro concentra as férias escolares, a paralisação do transporte de alunos, a redução dos serviços em estradas vicinais e uma menor demanda de produtores rurais.

Com a retomada dessas atividades nos meses seguintes, segundo a Prefeitura, houve aumento no consumo de combustível necessário para manter os serviços.

Na mesma nota encaminhada, a gestão municipal afirmou que tem sido alvo de denúncias anônimas e sustentou que representações anteriores foram arquivadas após a apresentação de documentos de defesa.

Apesar das justificativas apresentadas pelo município, o procedimento do MPTO aponta que a resposta preliminar enviada pela Prefeitura não continha documentos comprobatórios relacionados às rotas, aos condutores, aos quantitativos e às placas dos veículos abastecidos. A investigação segue para aprofundar a análise dos gastos e das denúncias apresentadas.

Com informações Jornal do Tocantins