Trabalhadores dos Correios iniciaram uma greve por tempo indeterminado após assembleias realizadas na noite desta quinta-feira (10). Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos do Tocantins (Sintect-TO), a paralisação tem adesão em todo o estado e uma mobilização está prevista para segunda-feira (14), em frente ao prédio central dos Correios, em Palmas.
A paralisação ocorre em todo o país e, segundo a Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Findect), teve adesão de sindicatos de todos os estados. A entidade afirma que a decisão foi tomada após as negociações da campanha salarial terminarem sem acordo.
Em nota ao Jornal Primeira Página, o Sintect-TO informou que a categoria decidiu pela greve diante da falta de avanços considerados suficientes nas negociações com a empresa e das preocupações dos trabalhadores com o processo de reestruturação dos Correios.
Trabalhadores do Tocantins apresentam reivindicações
Entre as reivindicações apresentadas pelos trabalhadores no Tocantins estão a preservação do plano de saúde, manutenção do adicional de férias, pagamento do repouso trabalhado, manutenção do ticket extra, preservação dos empregos, condições de trabalho consideradas dignas e manutenção de outros direitos conquistados pela categoria.
O sindicato também critica pontos do modelo de reestruturação apresentado pela direção dos Correios. Para a entidade, medidas como fechamento de agências, redução de postos de trabalho, diminuição de distritos postais e enxugamento da estrutura operacional podem aumentar a sobrecarga dos funcionários e afetar os serviços.
O Sintect-TO afirma que os trabalhadores defendem a modernização da estatal, mas argumenta que o processo deve considerar a função dos Correios de manter atendimento postal em todo o território nacional, inclusive em localidades consideradas pouco atrativas economicamente para empresas privadas.
Plano de saúde está entre os impasses
Segundo a Findect, o plano de saúde dos funcionários está entre os principais pontos de divergência nas negociações. A federação afirma que a direção dos Correios pretende promover mudanças no benefício.
A entidade informou ainda que a paralisação foi aprovada após sucessivas rodadas de negociação e tentativas de mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST).
Correios adotam plano para reduzir impactos
Em nota, os Correios informaram que adotaram um Plano de Continuidade de Negócios para tentar reduzir os impactos da greve aos clientes.
Segundo a empresa, as medidas incluem remanejamento de equipes, reforço das atividades operacionais e ações logísticas para preservar a regularidade das entregas no país.
Empresa acumula prejuízos
A greve ocorre em meio à crise financeira enfrentada pelos Correios. A empresa acumula 15 trimestres consecutivos de resultados negativos e registrou prejuízo de R$ 5,6 bilhões no primeiro semestre deste ano.
Apesar do resultado negativo, o prejuízo registrado no segundo trimestre foi inferior aos resultados do primeiro trimestre de 2026 e do quarto trimestre de 2025.
Os Correios também esperam uma nova operação de crédito de R$ 7 bilhões. A previsão da empresa é receber os recursos até 15 de setembro. No fim do ano passado, a estatal recebeu R$ 12 bilhões em outra operação de crédito.
NOTA À IMPRENSA SINTEC-TO:
SINTECT-TO afirma que paralisação é em defesa dos empregos, dos direitos, da manutenção da rede de atendimento e do fortalecimento dos Correios como empresa pública
O Sindicato dos Trabalhadores na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos no Estado do Tocantins – SINTECT-TO informa que os trabalhadores dos Correios deflagraram greve por tempo indeterminado, diante da falta de avanços suficientes nas negociações com a empresa e da preocupação crescente da categoria com o atual processo de reestruturação.
Para o Sindicato, o modelo apresentado pela direção dos Correios não representa a modernização necessária para recuperar e fortalecer a empresa. Ao contrário, medidas como fechamento de agências, redução de postos de trabalho, diminuição de distritos postais e enxugamento da estrutura operacional podem aumentar a sobrecarga dos empregados e comprometer a qualidade dos serviços prestados à população.
TRABALHADORES NÃO SÃO RESPONSÁVEIS PELA CRISE
O SINTECT-TO rejeita qualquer tentativa de atribuir aos trabalhadores a responsabilidade pelos problemas financeiros enfrentados pelos Correios.
A categoria vem sofrendo, ao longo dos últimos anos, sucessivas reduções de pessoal, aumento da carga de trabalho e perdas nas condições de funcionamento das unidades. Para o Sindicato, as dificuldades da empresa precisam ser enfrentadas por meio de gestão eficiente, planejamento, investimento, modernização, ampliação de receitas e participação efetiva do Governo Federal, e não pela retirada de direitos dos empregados.
Os Correios possuem uma função que vai muito além da obtenção de lucro. Como empresa pública, têm a responsabilidade de garantir atendimento postal em todo o território nacional, inclusive em municípios e localidades onde a iniciativa privada não demonstra interesse econômico em atuar.
Não é razoável exigir que a empresa mantenha essa enorme capilaridade e cumpra sua função social sem que o Estado brasileiro participe efetivamente do financiamento e da construção de soluções para a sustentabilidade dos Correios.
MODERNIZAR NÃO É FECHAR AGÊNCIAS
Os trabalhadores defendem a modernização dos Correios.
Mas modernização significa investimento em tecnologia, infraestrutura, logística, sistemas, equipamentos, qualificação profissional, inovação e criação de novos serviços.
Fechar agências, reduzir o número de trabalhadores, diminuir postos de atendimento e ampliar a sobrecarga de quem permanece trabalhando não pode ser apresentado à sociedade como modernização.
Para o SINTECT-TO, esse modelo representa, na prática, redução da estrutura da empresa e enfraquecimento de sua capacidade operacional.
DEFESA DOS DIREITOS E DO ACORDO COLETIVO
A greve também está relacionada às negociações do Acordo Coletivo de Trabalho.
Entre os principais pontos defendidos pela categoria estão:
preservação do plano de saúde;
manutenção do adicional de férias;
pagamento do repouso trabalhado;
manutenção do ticket extra;
preservação dos empregos;
condições dignas de trabalho;
manutenção dos demais direitos historicamente conquistados pela categoria.
Os trabalhadores também questionam a proposta econômica apresentada pela empresa, que prevê acordo com duração de dois anos e reposição inflacionária, sem ganho real nos salários.
Antes da paralisação, foram realizadas diversas tentativas de negociação e conciliação. Entretanto, na avaliação da categoria, não houve avanços suficientes para a construção de uma proposta capaz de assegurar os direitos dos empregados e, ao mesmo tempo, apresentar perspectivas concretas para o fortalecimento dos Correios.
CORREIOS NÃO PODEM SER TRATADOS COMO UMA EMPRESA PRIVADA COMUM
O SINTECT-TO destaca ainda que existe uma profunda desigualdade entre as obrigações dos Correios e as condições de atuação das empresas privadas do setor.
Enquanto empresas privadas podem escolher os mercados, regiões e serviços de maior rentabilidade, os Correios precisam manter uma estrutura nacional e garantir atendimento em todo o território brasileiro.
Por isso, não é possível exigir que os Correios cheguem a todos os brasileiros e, ao mesmo tempo, cobrar que sua atuação seja orientada exclusivamente pela lógica do lucro.
A universalização dos serviços postais possui um custo e uma função social que precisam ser reconhecidos pelo Governo Federal.
UMA GREVE EM DEFESA DOS CORREIOS
O SINTECT-TO reforça que a mobilização não é contra os Correios.
A greve é em defesa dos Correios.
É uma luta pela manutenção dos empregos, pela preservação dos direitos, por melhores condições de trabalho, pela continuidade do atendimento à população, pela presença dos Correios nos municípios do interior e pelo fortalecimento de uma empresa pública estratégica para o Brasil.
A categoria permanece aberta ao diálogo e à negociação, mas defende que qualquer processo de reestruturação assegure empregos, direitos, condições dignas de trabalho, manutenção da rede de atendimento, investimentos, modernização, eficiência operacional e participação efetiva do Governo Federal.
Os trabalhadores não querem menos Correios.
Querem Correios mais fortes, modernos, eficientes, públicos e presentes em todo o Brasil.
A CULPA NÃO É DOS TRABALHADORES.
A CONTA DA CRISE NÃO PODE SER PAGA COM NOSSOS DIREITOS.
OS CORREIOS PRECISAM DE INVESTIMENTO, NÃO DE SUCATEAMENTO.
POR CORREIOS PÚBLICOS, FORTES, MODERNOS E PARA TODOS.
SINTECT-TO
Sindicato dos Trabalhadores na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos no Estado do Tocantins