Após quase três meses de interdição, DNIT anuncia nova ponte e liberação parcial da travessia entre Pedro Afonso e Tupirama

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) anunciou nesta sexta-feira (7) um conjunto de medidas para enfrentar os impactos da interdição da ponte sobre o Rio Tocantins, na BR-235, entre Pedro Afonso e Tupirama. Entre as principais ações estão a construção de uma nova ponte, a previsão de liberação parcial da estrutura atual nos próximos 15 dias e a entrada em operação de quatro balsas gratuitas até o fim de agosto.

Os anúncios foram feitos durante a audiência pública “S.O.S. BR-235: A Ponte que Sustenta Vidas, o Agro e o Desenvolvimento Regional”, realizada no Colégio de Tempo Integral Antônio Martins Belarmino Filho, em Pedro Afonso. O encontro reuniu cerca de 1.100 pessoas, entre moradores, produtores rurais, comerciantes, estudantes, representantes do setor produtivo e autoridades.

O diretor de Infraestrutura Rodoviária do DNIT, Fábio Pessoa da Silva Nunes, informou que o edital de licitação para a construção da nova ponte deverá ser publicado ainda neste mês. A estrutura será duplicada, já preparada para uma futura duplicação da BR-235, e a previsão apresentada pelo órgão é de conclusão em até dois anos.

Após a entrega da nova travessia, a ponte atualmente interditada deverá ser demolida.

Ponte atual poderá ser parcialmente liberada em 15 dias

Enquanto a solução definitiva não é executada, o DNIT anunciou que trabalha para permitir a circulação restrita pela ponte atual nos próximos 15 dias, condicionada a novas avaliações técnicas.

A previsão é de que a passagem seja autorizada somente para veículos de pequeno porte, ambulâncias, micro-ônibus, ônibus escolares e caminhões de coleta de lixo.

O controle de acesso e a segurança da operação ficarão sob responsabilidade do DNIT, com apoio da Polícia Militar.

A medida representa uma mudança em relação ao cenário adotado desde maio, quando a estrutura foi totalmente interditada por questões de segurança.

Quatro balsas gratuitas até o fim de agosto

Outra medida anunciada é a ampliação da travessia pelo Rio Tocantins. Segundo o DNIT, quatro balsas gratuitas deverão estar em operação até o fim deste mês.

A intenção é aumentar a capacidade de transporte de pessoas, veículos e cargas enquanto a ponte permanecer com restrições, reduzindo também os impactos sobre o escoamento de grãos, cana-de-açúcar e gado produzidos na região.

Desde a interdição, a travessia por balsas e os desvios rodoviários passaram a fazer parte da rotina de moradores, produtores, trabalhadores e transportadores.

Intervenções na TO-010

Durante a audiência, o DNIT também anunciou intervenções na TO-010, uma das principais rotas alternativas utilizadas desde a interdição da ponte.

Segundo o órgão, deverá ser concluída na próxima semana a contratação das empresas responsáveis pela construção de duas pontes de concreto e pela recuperação do trecho entre Pedro Afonso e Tocantínia.

O segmento pavimentado entre Tocantínia e Lajeado também deverá ser recapeado.

A rodovia é estadual, mas, diante da situação provocada pela interdição da BR-235, o Governo Federal assumirá temporariamente a responsabilidade pela recuperação e conservação do trecho. Atualmente, parte do percurso possui pontes de madeira que geram preocupação quanto à segurança dos usuários.

Setor produtivo acompanha compromissos

A audiência contou com a presença do governador Wanderlei Barbosa, do vice-governador Laurez Moreira, deputados federais e estaduais, representantes de órgãos públicos e entidades ligadas ao setor produtivo.

A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Tocantins (FAET) participou do encontro por meio do superintendente Miller Santana e do diretor jurídico do Sistema FAET/Senar, Luiz Renato Provenzano.

Durante a audiência, Miller destacou a importância da infraestrutura logística para a competitividade do agronegócio e afirmou que a entidade acompanha as demandas que afetam os produtores rurais.

A presidente do Sindicato Rural de Pedro Afonso e Região (Sirpar), Simone Sandri, também ressaltou a importância da logística para o transporte de insumos, escoamento da produção e acesso aos mercados consumidores.

A audiência foi organizada pela Comissão Interinstitucional de Coordenação das Ações Relacionadas à Interdição da Ponte da BR-235, formada pela Coapa, Sirpar, Prefeitura de Pedro Afonso, Associação Comercial e Industrial de Pedro Afonso (Acipa), Câmara Municipal e movimentos Pró-BR-235 e Pró-TO-010.

Ao final, os organizadores informaram que acompanharão a execução dos compromissos anunciados pelo DNIT.

Entenda o caso

A ponte sobre o Rio Tocantins, na BR-235, entre Pedro Afonso e Tupirama, está interditada desde 20 de maio de 2026, quando uma inspeção técnica identificou problemas estruturais.

Posteriormente, estudos técnicos apontaram danos irreversíveis nas fundações e pilares da estrutura. Ensaios de carga e análises laboratoriais realizados pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) identificaram deterioração do concreto das fundações provocada por reações químicas internas.

Diante do diagnóstico, o DNIT concluiu que a estrutura precisaria ser substituída por uma nova ponte.

A interdição alterou a rotina da região. Moradores passaram a depender de balsas e rotas alternativas para acessar serviços de saúde, educação e trabalho, enquanto produtores e empresas enfrentam aumento no tempo de viagem e nos custos de transporte.

Desvio aumenta percurso 

No setor produtivo, estimativas da Cooperativa Agroindustrial do Tocantins (Coapa) apontam que o desvio rodoviário acrescenta entre 120 e 130 quilômetros ao trajeto dos caminhões.

O percurso adicional elevaria os custos logísticos entre R$ 8 e R$ 10 por tonelada, afetando tanto o escoamento da produção agrícola quanto a chegada de fertilizantes, sementes e defensivos utilizados nas propriedades.

Na época da interdição, Simone Sandri classificou o bloqueio como um “duro golpe para toda a região”, diante dos impactos sobre a logística, o abastecimento e a mobilidade.

O presidente da Coapa, Ricardo Khouri, também alertou que a interrupção compromete a logística de exportação dos grãos produzidos no Médio Norte do Tocantins e pode afetar o abastecimento de insumos para a próxima safra.

Os efeitos também chegaram aos serviços essenciais. Imagens divulgadas nas redes sociais mostraram pacientes utilizando pequenas embarcações para atravessar o Rio Tocantins, em meio às dificuldades de deslocamento provocadas pela interdição.