Enquanto o debate sobre o fim da escala 6×1 avança no Congresso Nacional, um levantamento sobre o mercado de trabalho brasileiro coloca o Tocantins entre os estados com as jornadas mais extensas do país. Dados de 2025 apontam que 66% dos trabalhadores tocantinenses cumprem jornadas superiores a 44 horas semanais, percentual acima da média nacional, que é de 56%.
O estudo também mostra que a carga horária média no estado chega a 44,9 horas por semana, posicionando o Tocantins acima da média brasileira, de 43,4 horas. O resultado acompanha a realidade da Região Norte, que registra a maior média de horas trabalhadas do país, com 45,3 horas semanais.
Tocantins supera estados mais ricos
Os números revelam uma diferença significativa entre as regiões brasileiras. Enquanto estados do Norte e Nordeste concentram as maiores cargas horárias, unidades federativas do Sudeste e do Centro-Oeste apresentam jornadas menores.
No Tocantins, a média de 44,9 horas semanais supera com folga a registrada em estados como São Paulo, onde os trabalhadores cumprem, em média, 42,3 horas por semana, e o Rio de Janeiro, que possui a menor média nacional, com 41,8 horas.
No Distrito Federal, apenas 41% dos trabalhadores atuam acima do limite de 44 horas semanais, índice bem inferior ao observado no Tocantins.
Mais horas nem sempre significam mais renda
O levantamento também aponta uma contradição presente no mercado de trabalho brasileiro. As regiões onde os trabalhadores permanecem mais tempo em atividade são justamente aquelas que apresentam menores níveis de renda média.
Na prática, trabalhadores do Norte precisam dedicar mais horas ao trabalho para alcançar rendimentos inferiores aos observados em estados do Centro-Sul do país.
O cenário reforça discussões sobre produtividade, qualidade de vida e desigualdades regionais no mercado de trabalho.
Debate sobre o fim da escala 6×1 ganha força
Os números ganham relevância em meio às discussões sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê a redução da jornada semanal e o fim da escala de seis dias de trabalho para um de descanso.
Defensores da proposta argumentam que jornadas extensas podem afetar a saúde física e mental dos trabalhadores, além de reduzir o tempo disponível para convivência familiar, lazer, qualificação profissional e educação.
Por outro lado, representantes de setores empresariais defendem cautela na implementação de mudanças, especialmente em estados com forte presença de micro e pequenas empresas, alegando que a redução da jornada pode elevar custos operacionais e impactar a geração de empregos.
Tocantins no centro da discussão
Com dois terços dos trabalhadores atuando acima das 44 horas semanais, o Tocantins aparece entre os estados que podem sentir de forma mais intensa os efeitos de uma eventual mudança na legislação trabalhista.
Especialistas avaliam que qualquer alteração nas regras da jornada terá impacto direto sobre a organização do mercado de trabalho, a produtividade das empresas e a qualidade de vida da população.