O Tocantins registrou 825 quilômetros quadrados de vegetação nativa sob alerta de desmatamento no Cerrado entre janeiro e junho de 2026. O resultado coloca o estado na segunda posição do país, atrás apenas do Maranhão, que somou 839 km² no mesmo período.
Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e fazem parte do sistema Deter, usado para identificar alterações na cobertura vegetal em tempo quase real e orientar ações de fiscalização.
Na sequência do ranking aparecem Piauí, com 368 km², e Bahia. Os números se referem a áreas sob alerta e ainda passam por consolidação anual pelo sistema Prodes, responsável pela taxa oficial de desmatamento.
Cerrado tem queda de 6% nos alertas
Apesar do resultado registrado no Tocantins, o Cerrado apresentou redução no volume total de áreas sob alerta no primeiro semestre. Entre janeiro e junho, foram identificados 3.142 km², queda de 6% em relação ao mesmo período de 2025.
Esse foi o menor índice para os seis primeiros meses do ano desde 2021.
Segundo o governo federal, a redução está relacionada ao fortalecimento da fiscalização ambiental, à retomada de políticas de combate ao desmatamento e ao aumento das medidas de responsabilização sobre áreas desmatadas de forma irregular.
Desmatamento no Cerrado ocorre principalmente em áreas privadas
A dinâmica do desmatamento no Cerrado é diferente da observada na Amazônia. No bioma, boa parte da retirada da vegetação ocorre em propriedades particulares, onde a legislação permite percentuais maiores de supressão, desde que haja autorização dos órgãos ambientais.
Mesmo assim, especialistas avaliam que o volume de vegetação perdido continua elevado. Além da redução da biodiversidade, o desmatamento contribui para as emissões de gases de efeito estufa e dificulta o cumprimento das metas climáticas brasileiras.
Período seco aumenta preocupação
Os próximos meses costumam concentrar índices mais elevados de desmatamento por causa da redução das chuvas. Historicamente, o período entre maio e setembro reúne condições mais favoráveis à abertura de áreas e à propagação de incêndios florestais.
A possível influência do El Niño no segundo semestre também pode ampliar os períodos de estiagem e aumentar os riscos no Cerrado, incluindo áreas do Tocantins.