“F1: O filme” é um espetáculo e sabe muito bem disso. O filme se apresenta como uma experiência sensorial arrebatadora, dessas que fazem o corpo vibrar junto com o ronco dos motores. Entre curvas fechadas, cicatrizes abertas e grandes homenagens, o longa se revela um convite irrecusável para quem ama cinema esportivo (já que a história parte de um arquétipo clássico do gênero).
O longa traz Sonny Hayes (Brad Pitt) como o nome mais promissor da Fórmula 1 dos anos 90, até que um acidente brutal o arranca das pistas. Três décadas depois, ele é chamado de volta por Ruben (Javier Barden), antigo parceiro e agora dono da problemática escuderia APXGP. A missão é salvar a equipe do colapso financeiro e servir de mentor para o jovem e explosivo Joshua Pearce (Damson Idris).
Diante disso temos Joseph Kosinski, um diretor que nunca escondeu sua paixão pelo cinema de ação norte-americano dos anos 80 e 90. Desde “Tron: O Legado” até o estrondoso “Top Gun: Maverick”, o diretor construiu uma carreira marcada por nostalgia, precisão técnica e um fascínio quase físico pela relação entre o homem e a velocidade. Em “F1: O filme”, esse interesse encontra terreno fértil.
O roteiro segue uma cartilha bastante conhecida, com conflitos geracionais, traumas não resolvidos e a eterna busca pela redenção. Não há grandes surpresas narrativas, e algumas soluções beiram a conveniência. Ainda assim, o que a direção faz com esse material é impressionante. Mesmo quem não acompanha Fórmula 1, acaba completamente sugado pelo ritmo da montagem, pelo jogo de câmeras e pela coreografia sonora das corridas.
Basta olhar os créditos iniciais para entender o nível da empreitada: Stephen Mirrione na montagem, Claudio Miranda na fotografia e Hans Zimmer na trilha sonora. Difícil dar errado. As cenas de corrida, filmadas em pistas reais, são exuberantes. A tecnologia desenvolvida para o longa com câmeras Sony 6K customizadas, compactas o suficiente para caber dentro dos carros, cria uma imersão raramente vista.
A sensação é de estar dentro do cockpit, sentindo a vibração, o cansaço físico e a adrenalina a cada curva. O filme mantém uma base sólida, focado principalmente na dualidade entre a tensão do passado e o fervor da competição e isso é representado muito bem pela fotografia, variando de tons mais frios quando estão em ambientes fechados e de tensão, para cores quentes nas cenas românticas do filme.
No elenco, Brad Pitt sustenta o filme com uma interpretação cheia de nuances. Seu Sonny Hayes é marcado pelo medo, pelas frustrações e pelo peso do tempo. Ao seu redor, Damson Idris constrói um Joshua impulsivo, vaidoso e instável, criando um contraste interessante com a introspecção de Hayes. Já Kerry Condon, como a engenheira e chefe de equipe Kate McKenna, é puro carisma. Sua presença em cena adiciona camadas emocionais e estabelece um romance que, longe de ser apenas decorativo, dialoga com os temas centrais do filme.
Vale lembrar que o acesso irrestrito aos bastidores da Fórmula 1, somado à consultoria de Lewis Hamilton, imprime autenticidade às imagens e fortalece a imersão do filme. E a homenagem a Ayrton Senna emociona e cria uma conexão afetiva imediata com o público brasileiro.
Se há um ponto em que o filme escorrega, é justamente no excesso. A quantidade de acidentes envolvendo Hayes, usados como estratégia narrativa para alavancar a equipe, acaba esticando demais algumas sequências e prejudicando o ritmo em certos momentos. Diferente de “Top Gun: Maverick”, onde a ação vinha sempre acompanhada de densidade emocional, aqui algumas cenas soam mais artificiais, pensadas apenas para o impacto visual.
Ainda assim, o filme jamais se torna maçante e no fim das contas, é exatamente o que promete: um espetáculo grandioso, tecnicamente impecável e emocionalmente eficiente. Kosinski entrega mais um exercício de adrenalina cinematográfica e reafirma sua habilidade única de transformar velocidade em linguagem.
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