Um relatório de inteligência da Polícia Federal (PF) encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), aponta que a facção criminosa Comando Vermelho mantém presença consolidada em diversos estados brasileiros, incluindo o Tocantins.
O documento integra investigações sobre a infiltração do crime organizado na política do Rio de Janeiro e reúne informações sobre a estrutura da organização, rotas de tráfico, alianças criminosas e formas de financiamento dentro e fora do Brasil.
Segundo a análise da PF, o grupo atua diretamente nos estados do Acre, Amapá, Pará, Rondônia e Tocantins. Nesses locais, a facção mantém presença própria e, em alguns casos, estabelece alianças com organizações criminosas locais.
Expansão internacional
O relatório também indica que o Comando Vermelho ampliou sua atuação para outros países da América do Sul. Entre os territórios citados estão Paraguai, Bolívia, Peru e Colômbia, onde ocorrem negociações relacionadas a rotas e preços para o tráfico de drogas e armas, além da articulação logística para envio de entorpecentes ao Brasil.
Na Colômbia, a Polícia Federal aponta vínculos entre integrantes do Comando Vermelho e dissidentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), principalmente em áreas da região amazônica. De acordo com o relatório, essa cooperação facilita o transporte de cocaína por rotas fluviais e terrestres que atravessam a tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru.
Rotas de armas e apreensões
A investigação também descreve rotas utilizadas para o tráfico internacional de armas. Parte do armamento teria origem nos Estados Unidos, onde brasileiros comprariam peças e munições sob justificativas legais, como uso em clubes de tiro.
Segundo o relatório, os componentes seriam enviados para países vizinhos, especialmente o Paraguai, onde as armas seriam montadas e posteriormente transportadas para o Brasil sem numeração ou registro.
Dados reunidos pela Polícia Federal indicam aumento nas apreensões de fuzis no país. Em 2025, até o momento do levantamento citado no documento, foram apreendidos 1.396 fuzis em território nacional. Desse total, cerca de 37% das apreensões ocorreram no Rio de Janeiro.
Diversificação de atividades
De acordo com a PF, além do tráfico de drogas e armas, a facção tem ampliado sua atuação para outras atividades ilícitas. Investigações apontam envolvimento com crimes ambientais, como exploração ilegal de ouro, contrabando de madeira e grilagem de terras, além do uso de atividades econômicas formais para lavagem de dinheiro.
O relatório também destaca que a organização criminosa mantém capacidade de adaptação. Mesmo após prisões de lideranças e operações policiais, a estrutura do grupo continua funcionando por meio de redes descentralizadas e pela rápida substituição de integrantes.
Segundo a Polícia Federal, o enfrentamento a organizações criminosas desse porte exige integração entre órgãos de segurança, compartilhamento de informações de inteligência e investigações financeiras voltadas à identificação de patrimônio e fluxos de lavagem de dinheiro.
As informações iniciais sobre o relatório da Polícia Federal foram divulgadas pela revista Veja.
Informações: Jornal Opção Tocantins