O Coletivo Kambô iniciou, em março, as atividades do projeto Cine Crias, que oferece formação audiovisual gratuita para jovens de periferias, indígenas, negros e pessoas com deficiência no Tocantins. A iniciativa é realizada com recursos da Lei Federal de Incentivo à Cultura, com patrocínio master da Shell Brasil.
O projeto tem como objetivo ampliar o acesso ao setor audiovisual e incentivar o protagonismo de pessoas historicamente sub-representadas. A proposta parte da experiência das idealizadoras do coletivo, que relatam dificuldades de inserção no mercado e buscam transformar esse cenário por meio da formação e produção de conteúdos próprios.
Formação é voltada a jovens de 15 a 29 anos
O Cine Crias é direcionado a jovens entre 15 e 29 anos e combina formação teórica, técnica e prática. Os participantes recebem bolsas como incentivo à permanência no curso, que ocorre de forma presencial em diferentes territórios.
A primeira turma foi realizada entre os dias 9 e 18 de março, no setor Morada do Sol, em Taquaralto, em Palmas. Já a segunda etapa acontece entre os dias 23 de março e 1º de abril, em uma aldeia da etnia Xerente, em Tocantínia.
Curso inclui oficinas e produção de curtas
A formação é dividida em três módulos — introdução teórica, formação técnica e prática — e conta com cinco oficinas presenciais, que abordam áreas como roteiro, direção, fotografia, som, produção e direção de arte.
Também estão previstas masterclasses online sobre elaboração de projetos para editais, produção executiva e distribuição audiovisual.
Ao final do curso, os alunos irão produzir curtas-metragens, que serão exibidos na Mostra Itinerante Cine Crias.
Mostra itinerante vai percorrer cinco cidades
A mostra deve circular por cinco municípios do Tocantins: Palmas, Tocantínia, Paraíso do Tocantins, Porto Nacional e Lajeado. Após as exibições, estão previstas rodas de conversa com o público.
Os filmes produzidos também poderão ser inscritos em festivais de cinema nacionais e internacionais. Todos os participantes receberão certificado de conclusão.
Projeto busca fortalecer produção audiovisual local
Segundo o Coletivo Kambô, o audiovisual é utilizado como ferramenta de transformação social, valorização identitária e registro de histórias de comunidades tradicionais e periféricas.
A iniciativa também busca fortalecer a produção cultural no Tocantins e ampliar a inserção de novos profissionais no mercado da economia criativa.