A movimentação política envolvendo a senadora Dorinha Rezende, pré-candidata a governadora, provocou forte repercussão nos bastidores políticos de Taguatinga e da região sudeste do Tocantins. E, desta vez, a crise não é silenciosa – é aberta, pública e com potencial de deixar feridas profundas no grupo político que ajudou a eleger a senadora.
O estopim foi sua ausência na festa de 60 anos do ex-prefeito Miranda Taguatinga, que durou o dia inteiro, em 14 de fevereiro. O encontro contaria com diversas lideranças, entre elas a deputada Cláudia Lelis, o secretário de Educação Fábio Vaz (que estiveram presentes), além de prefeitos, ex-prefeitos e vereadores da região. Também era aguardada a presença dos senadores Eduardo Gomes e Dorinha.
PRESSÃO POLÍTICA
Nos bastidores, relatos são duros. Segundo lideranças locais, o prefeito atual de Taguatinga, Paulo Roberto Ribeiro, receando o impacto político do evento do adversário, teria se articulado diretamente com o deputado federal Carlos Gaguim para tentar impedir a presença dos dois senadores.
Mais grave: circula a denúncia de que servidores públicos e aliados também teriam sido pressionados a não comparecer, sob risco de retaliações políticas e ou administrativas.
Se confirmado, o episódio deixa de ser apenas disputa política e passa a ser demonstração explícita de força e controle político local.
HISTÓRICO DE CONFLITOS
O alinhamento atual causa espanto porque existe um histórico pesado de conflitos entre os grupos políticos. A senadora Dorinha já foi alvo de críticas diretas do grupo do prefeito Paulo Roberto e da ex-prefeita Zeila Antunes, esposa dele.
Entre os episódios lembrados por aliados estão:
• Acusações de influência indireta na perda do mandato de Zeila em 2012.
• Proibição de Dorinha e Gaguim de subir ao palanque do governador Wanderlei Barbosa em 2022 pelo prefeito Paulo Roberto.
• Acolhimento político posterior dos dois feito por Miranda Taguatinga e pelo ex-prefeito Ailton Crente, que abriram espaço político quando outros fecharam portas.
REINCIDÊNCIA POLÍTICA?
Entre aliados antigos, a crítica é ainda mais dura: esta não seria a primeira ruptura política da senadora.
Em 2016, Dorinha teria retirado o DEM – partido que presidia – da base do ex-prefeito Ailton Crente, migrando para o grupo adversário. O movimento, segundo críticos, inviabilizou candidaturas proporcionais e deixou aliados sem estrutura eleitoral.
Hoje, muitos enxergam o movimento atual como repetição do mesmo padrão político.
BASE FUTURA
Aliados da senadora Dorinha lembram que o apoio dessas lideranças foi decisivo para a vitória eleitoral dela em Taguatinga em 2022, contra Kátia Abreu, com diferença próxima de 600 votos.
Política não perdoa ingratidão – e pode cobrar nas urnas.
Cenário eleitoral pode virar rápido – e contra Dorinha e seu grupo.
O avanço e consolidação de nomes como Amélio Cayres e o crescimento do pré-candidato Vicentinho Júnior, além de Laurez Moreira e Ataides Oliveira, que também estão na disputa, mostram que o cenário está longe de estar definido.
Nos bastidores, a avaliação é direta: ao apostar tudo em um acordo político incerto, a senadora pode ter trocado aliados consolidados por promessas frágeis.
A leitura mais pesada já circula entre lideranças regionais: a senadora Dorinha pode ter unido a oposição em Taguatinga. Não a favor dela – mas contra ela. O resultado pode ser exatamente o que adversários já dizem nos bastidores:
Trocar 12 por meia dúzia… E terminar com zero.
E a pergunta que ninguém consegue responder hoje é simples e sinal de perigo:
o cenário está mudando, com quem realmente ficará o prefeito Paulo Roberto?
E, principalmente: quem ficará com a senadora Dorinha?