Política vem de berço? Filhos de políticos conquistam espaço nas urnas no Tocantins; conheça os nomes

O Tocantins chega aos 38 anos com sobrenomes que acompanham parte significativa de sua história política. De prefeituras do interior ao Palácio Araguaia, Assembleia Legislativa e Congresso Nacional, diferentes integrantes de uma mesma família aparecem em mandatos sucessivos e, em alguns casos, simultâneos.

O resultado das Eleições 2026 renova esse cenário. Entre os eleitos para a Assembleia Legislativa e Câmara dos Deputados e os nomes que chegaram ao segundo turno para o Governo do Tocantins estão filhos, irmãos e cônjuges de políticos que já ocuparam ou ainda ocupam cargos públicos.

Há famílias cuja presença começou antes mesmo da criação do Tocantins. Outras formaram uma segunda geração de políticos nas últimas décadas. Em 2026, algumas chegam a uma nova etapa, com filhos conquistando espaço enquanto os pais ainda exercem influência ou ocupam cargos.

Vicentinho segue o pai

Um dos casos chega diretamente à disputa pelo Palácio Araguaia. Vicentinho Júnior (PSDB), candidato ao governo no segundo turno, é filho do ex-senador Vicentinho Alves.

Antes da primeira eleição do filho, o pai já havia passado por diferentes esferas do poder. Vicentinho Alves foi prefeito de Porto Nacional entre 1989 e 1992, exerceu dois mandatos como deputado estadual, foi eleito deputado federal em 2006 e senador em 2010. Em 2004, quando presidia a Assembleia Legislativa, chegou a assumir interinamente o Governo do Tocantins.=

Vicentinho Júnior seguiu para a política eleitoral anos depois. Ele exerce mandato na Câmara dos Deputados desde 2015 e, em 2026, deixou a disputa por uma nova cadeira no Legislativo para concorrer ao governo estadual.

Antes da primeira candidatura, em 2014, Vicentinho Júnior já acompanhava a atividade política do pai, trabalhando nos bastidores e auxiliando em atividades e campanhas.

Assim, a família atravessa diferentes períodos da política tocantinense: o pai chegou à prefeitura, Assembleia, Câmara, Senado e, interinamente, ao governo; décadas depois, o filho disputa pelo voto o comando definitivo do Executivo estadual.

Filho de Wanderlei Barbosa mantém presença da família na Assembleia

Na Assembleia Legislativa, outro sobrenome permanece ligado a duas gerações.

Léo Barbosa é filho de Wanderlei Barbosa. A própria biografia institucional da Assembleia registra a filiação. Léo começou a carreira eleitoral em 2016, quando foi eleito vereador de Palmas. Em 2019, assumiu o primeiro mandato como deputado estadual, depois de receber 23.477 votos, e foi reeleito em 2022 com 32.872.

Enquanto o pai chegou ao cargo mais alto do Executivo estadual, Léo consolidou espaço no Legislativo. Ele foi eleito deputado estadual pela primeira vez em 2018, assumiu o mandato em 2019 e posteriormente permaneceu na Assembleia.

Raul Cayres chega à Assembleia enquanto pai preside a Casa

As Eleições 2026 também marcaram a entrada de uma nova geração da família Cayres na Assembleia Legislativa.

Raul Cayres, eleito deputado estadual em sua primeira disputa pelo cargo, é filho de Amélio Cayres, atual presidente da Assembleia Legislativa e candidato a vice-governador na chapa de Vicentinho Júnior.

A trajetória do pai começou no Executivo municipal. Amélio foi eleito prefeito de Esperantina em 1996 e reeleito em 2000. Em 2006, conquistou uma cadeira na Assembleia e, desde então, acumulou cinco eleições consecutivas para deputado estadual — 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022. A biografia institucional da Casa confirma Raul entre seus três filhos.

Raul recebeu 21.838 votos em 2026 e conquistou uma cadeira na mesma Assembleia onde o pai exerce atualmente a presidência.

O núcleo familiar se estende ainda à política municipal do Bico do Papagaio, com parentes que já exerceram ou exercem cargos em municípios da região.

Família Abreu passa por Senado, Câmara e Legislativo municipal

A família de Kátia Abreu oferece outro exemplo de continuidade por diferentes gerações e espaços políticos. Kátia construiu uma trajetória que passou pela Câmara dos Deputados e pelo Senado. Seu filho Irajá também chegou à Câmara e posteriormente ao Senado.

Irajá Abreu foi eleito deputado federal em 2010 e posteriormente chegou ao Senado. A trajetória política ocorreu paralelamente à atuação da família no setor agropecuário.

A presença da família na política não ficou restrita a Kátia e Irajá. Iratã Abreu, também filho da ex-senadora e irmão de Irajá, foi eleito vereador de Palmas em 2012. Ele não concorreu à reeleição em 2016 e permaneceu uma década longe das disputas eleitorais. Em 2026, retornou às urnas e foi eleito deputado federal.

Toinho Andrade representa continuidade iniciada antes da criação do Tocantins

Em Porto Nacional, a família Andrade permite voltar ainda mais no tempo.

Antônio Poincaré Andrade Filho, o Toinho Andrade, é filho do ex-prefeito Antônio Poincaré Andrade. O pai administrou Porto Nacional entre 1973 e 1977, quando a região ainda integrava o estado de Goiás.

Toinho seguiu a trajetória política da família. Foi vereador, passou pela Assembleia Legislativa e chegou à Câmara dos Deputados. Em 2026, disputou novamente uma cadeira de deputado estadual.

A continuidade familiar já alcançou outra geração. Tony Andrade, filho de Toinho e neto de Antônio Poincaré Andrade, também entrou para a política municipal. A biografia publicada pela Câmara de Porto Nacional registra o parentesco e informa que Tony já exerce seu segundo mandato como vereador.

Nesse caso, são três gerações da mesma família em cargos eletivos: avô, filho e neto.

Casais também dividem espaço na política

Nem toda continuidade ocorre de pais para filhos. Há também casais que construíram trajetórias políticas paralelas.

Claudia Lelis, eleita novamente deputada estadual, é casada com Marcelo Lelis, ex-deputado estadual. A relação consta na própria biografia institucional da parlamentar. Claudia também já foi vice-governadora do Tocantins e secretária de Comunicação de Palmas.

Vanda Monteiro forma outro núcleo familiar com presença em diferentes casas legislativas. Ela é casada com Márcio Reis, vereador de Palmas. Vanda também começou na Câmara Municipal, após ser eleita vereadora em 2016, antes de chegar à Assembleia Legislativa.

A partir de 2027, portanto, os dois seguem vinculados a diferentes níveis do Legislativo: ela na Assembleia e ele na Câmara de Palmas.

Parentesco não transfere mandato

A repetição de famílias na política não significa que os mandatos sejam formalmente transmitidos entre parentes. Em cargos eletivos, cada integrante precisa registrar candidatura, disputar uma eleição e obter os votos necessários segundo as regras eleitorais.

Também não significa, isoladamente, a existência de nepotismo. A discussão sobre famílias políticas envolve outro fenômeno: a capacidade de um grupo familiar de preservar presença eleitoral ao longo do tempo.