Polícia Civil investiga desvio de mais de R$ 5,1 milhões em repasses a clube de futebol em Tocantinópolis

A Polícia Civil do Tocantins deflagrou nesta quinta-feira (12) a Operação 2º Tempo, que investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos do município de Tocantinópolis destinados a um clube de futebol. Ao todo, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão em residências de investigados, setores da prefeitura e na sede da entidade esportiva.

Segundo a investigação, o prejuízo estimado aos cofres públicos ultrapassa R$ 5.141.154,17. As apurações indicam que o fluxo de repasses investigado teria ocorrido de forma contínua entre 2009 e 2024.

A operação foi conduzida pela 1ª Divisão de Repressão ao Crime Organizado, com apoio da Diretoria de Repressão ao Crime Organizado (Dracco), Grupo de Operações Táticas Especiais (Gote), 1ª Divisão Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc), 3ª Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa de Gurupi (DHPP-Gurupi) e Divisão de Repressão a Crimes Contra a Ordem Tributária (DRCOT).

As investigações apuram suspeitas de peculato, falsidade ideológica, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Investigações começaram após relatório do Coaf

De acordo com a Polícia Civil, o inquérito teve início a partir de relatórios de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que apontaram movimentações consideradas suspeitas relacionadas a repasses de recursos públicos ao clube esportivo.

Segundo os investigadores, o suposto esquema seria estruturado em três eixos principais.

O primeiro envolveria a autorização de repasses irregulares de recursos públicos ao clube por gestores municipais, mesmo diante de decisões reiteradas do Tribunal de Contas do Estado do Tocantins (TCE/TO) que apontavam a ilegalidade dessas transferências.

O segundo eixo estaria relacionado ao uso da entidade esportiva como estrutura de fachada, com a suposta falsificação de documentos, como atas e recibos, para conferir aparência de legalidade às transferências financeiras.

Já o terceiro eixo investigado envolve a redistribuição e ocultação dos valores. Após serem transferidos para as contas da entidade, os recursos teriam sido pulverizados para contas pessoais de dirigentes e terceiros, com registros de saques em espécie, prática que dificulta o rastreamento da origem do dinheiro.

Tribunal de Contas já havia apontado irregularidades

A Polícia Civil informou que a irregularidade dos repasses já havia sido apontada anteriormente pelo Tribunal de Contas do Estado do Tocantins.

Por meio do Acórdão nº 638/2009, o órgão julgou irregular a prestação de contas referente ao exercício de 2007, destacando a ausência de autorização legal para a transferência de recursos públicos ao clube investigado.

Mandados e coleta de documentos

Para o cumprimento das diligências, a Polícia Civil mobilizou 34 policiais civis, sendo 32 investigadores e dois peritos, responsáveis pela coleta de documentos administrativos, registros contábeis e dispositivos eletrônicos.

Os mandados foram cumpridos em oito locais considerados estratégicos, incluindo residências de investigados, setores da prefeitura e a sede da entidade esportiva.

Segundo a polícia, um dos investigados é policial militar da ativa, motivo pelo qual a Polícia Militar do Tocantins prestou apoio durante o cumprimento das ordens judiciais.

Nome da operação

De acordo com a Polícia Civil, o nome Operação 2º Tempo faz referência ao “segundo tempo” de uma partida de futebol e simboliza a continuidade das investigações sobre o esquema que, segundo os investigadores, teria utilizado o esporte como instrumento para a prática de crimes contra a administração pública.

As investigações seguem em andamento para identificar todos os envolvidos e esclarecer a destinação dos recursos públicos investigados.

Informações: Dicom SSP/TO