Ministro Cristiano Zanin beneficia poderosos envolvidos no caso Master e nega abertura de CPI

O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou o pedido apresentado pelo deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) para que a Corte determinasse a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Federal, destinada a investigar o Banco Master. A decisão foi publicada nesta quinta-feira (12).

Na ação, o parlamentar afirmou ter protocolado requerimento para criação da comissão com 201 assinaturas, número superior ao mínimo constitucional de um terço dos deputados da Câmara. Rollemberg ingressou com um mandado de segurança contra o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), alegando existir um “ato omissivo inconstitucional” por não ter sido instalada a comissão.

Ao analisar o caso, Zanin afirmou que não havia prova “pré-constituída e inequívoca” de omissão da presidência da Câmara. Segundo ele, o principal elemento apresentado era o fato de que o pedido de CPI havia sido protocolado em 02 de fevereiro, cerca de um mês atrás.

Caso Banco Master gera repercussão nacional

O pedido de CPI está relacionado às investigações envolvendo Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, alvo de apurações sobre fraudes financeiras e irregularidades na gestão da instituição.

O caso passou a ser investigado pela Polícia Federal no âmbito da chamada Operação Compliance Zero, que apura um rombo estimado em R$ 40,6 bilhões, além de suspeitas de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e venda de carteiras de crédito consideradas irregulares.

Daniel Vorcaro foi preso no dia 4 de março por decisão do Supremo Tribunal Federal no curso das investigações. A legalidade dessa prisão deverá ser analisada pela Segunda Turma do STF, com votação no plenário virtual iniciando na sexta-feira, 13 de março de 2026.

Outro ponto que chama atenção no caso é o impacto sobre investidores comuns. Estimativas apontam que mais de 1,2 milhão de pessoas que tinham aplicações no Banco Master podem ter sido prejudicadas, já que parte dos valores investidos pode não ser recuperada integralmente.

Isso ocorre porque, em situações de quebra ou liquidação de instituições financeiras, os investidores contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que assegura a devolução de até R$ 250 mil por CPF e por instituição. Quem possuía valores superiores a esse limite pode acabar enfrentando prejuízos financeiros.

As investigações também citam possíveis conexões entre agentes do sistema financeiro e autoridades públicas. Um ex-diretor do Banco Central do Brasil chegou a ser afastado pela Justiça após suspeita de fornecer informações privilegiadas relacionadas ao caso.

Debate nas redes

Além das investigações oficiais, o caso também tem gerado forte repercussão nas redes sociais e no debate político nacional. Circulam comentários sobre a atuação de personagens ligados ao escândalo.

Entre essas narrativas, há publicações que levantam a hipótese de que Daniel Vorcaro seria um intermediário, um “testa de ferro”, o chamado “laranja”, de grupos poderosos.

O caso segue sendo investigado também no STF, sob relatoria do ministro André Mendonça, que conduz procedimentos relacionados ao Banco Master.