Muitas pessoas não sabem a diferença entre o Setembro Amarelo e o Janeiro Branco
Embora sejam campanhas amplamente divulgadas, o Janeiro Branco e o Setembro Amarelo ainda geram dúvidas sobre seus objetivos. Criado em 2014, o Janeiro Branco tem como foco a promoção da saúde mental e o incentivo ao cuidado emocional ao longo de todo o ano. Já o Setembro Amarelo, iniciado em 2015, concentra-se na prevenção do suicídio e na valorização da vida. Apesar das abordagens distintas, ambas tratam de um mesmo eixo central: a saúde mental como fator determinante para o bem-estar e para a redução de agravos emocionais.
Tema de 2026 reforça cuidado contínuo com a saúde mental
Em 2026, o Janeiro Branco adota o tema “Paz. Equilíbrio. Saúde Mental.” e utiliza post-its como símbolo visual da campanha, representando lembretes de autocuidado e reorganização da rotina. Em entrevista ao Jornal Primeira Página, a psicóloga Rosivânia Tosta afirmou que a iniciativa funciona como “um alerta” em um período em que muitas pessoas costumam ficar mais reflexivas por causa do início de um novo ciclo.
Aumento do sofrimento emocional entre crianças e adolescentes
O debate ocorre em meio ao crescimento do sofrimento emocional entre crianças e adolescentes. Segundo a psicóloga, após a pandemia houve aumento de quadros de ansiedade e depressão, com níveis de adoecimento semelhantes aos observados em adultos. Dados do Atlas de Saúde Mental de 2017, da Organização Mundial da Saúde, indicam que metade das condições de saúde mental começa aos 14 anos, embora muitos casos não sejam identificados ou tratados.
Família e escola como pontos de atenção
Na avaliação de Rosivânia, o adoecimento mental na infância e adolescência é multifatorial e reflete condições sociais e familiares. A publicação Saúde mental na infância e adolescência, da Fundação Abrinq, reforça que essas fases são decisivas para o desenvolvimento emocional e que a ausência de cuidado pode gerar prejuízos escolares e sociais.
Os sinais de alerta costumam aparecer no comportamento, como alterações no rendimento escolar, no sono, na alimentação e na interação social. No mesmo material, a médica e psicanalista Regina Bichaff destaca a importância da escuta e do acolhimento.
“Ao perceber qualquer alteração devem escutar e acolher o que a criança ou adolescente está vivenciando, buscando valorizar seus sentimentos e compreender os motivos do aparecimento de reações ou alterações de comportamento”, alerta Regina.
Ela também ressalta a responsabilidade compartilhada no cuidado.
“Os pais ou responsáveis devem estar atentos para reconhecer possíveis mudanças no comportamento das crianças e adolescentes. Ao perceberem qualquer alteração, nunca devem atribuir o problema apenas à criança ou ao adolescente, mas devem se reconhecer como corresponsáveis pela existência do problema ou pela sua resolução”, ressalta Regina.
Campanhas que se complementam
Rosivânia afirma que o acompanhamento psicológico tende a ser mais eficaz quando há participação ativa da família e quando a busca por avaliação ocorre de forma precoce. Nesse contexto, Janeiro Branco e Setembro Amarelo são apontados por especialistas e por pessoas enlutadas pelo suicídio como campanhas complementares, que reforçam a necessidade de ações contínuas de cuidado e prevenção em saúde mental.