O tabagismo volta ao centro das atenções nesta sexta-feira (29), quando é celebrado o Dia Nacional de Combate ao Fumo, em meio a dados que preocupam autoridades de saúde. Segundo o Ministério da Saúde, o número de fumantes no Brasil cresceu 25% entre 2023 e 2024 — o maior aumento desde 2007.
Atualmente, mais de 174 mil pessoas morrem por ano no país em decorrência de doenças relacionadas ao tabaco, sendo 55 mil apenas por câncer. No mundo, são 8 milhões de mortes anuais, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).
No Tocantins, a Secretaria de Estado da Saúde (SES-TO) conduz o Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT), que oferece tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
O Estado conta com 141 unidades em 69 municípios habilitadas para atender fumantes, com consultas individuais, acompanhamento em grupo e apoio medicamentoso. Em 2024, 682 pacientes receberam atendimento — 384 homens e 298 mulheres. De janeiro a abril deste ano, foram registrados 141 pacientes em tratamento, quase igualmente divididos entre homens e mulheres.
Relatos de superação
O pecuarista Renato Gondim Domingos, 58 anos, fumou durante 35 anos e deixou o cigarro após uma cirurgia cardíaca.
“Antes eu achava que não dava conta de largar de fumar, e hoje eu nem lembro que existia cigarro na minha vida”, contou.
Ele relembra o processo:
“Eu fumava 4 carteiras de cigarro por dia e, depois que parei de fumar, comecei a sentir os benefícios na qualidade de vida. Foi um período difícil, mas a vontade foi acabando. Já tem dez anos que eu parei, nunca dei uma recaída, nunca voltei e nem quero voltar”.
A pedagoga Thici Luchiari, 33 anos, também conseguiu abandonar o vício após 12 anos de hábito.
“Por incrível que pareça, hoje eu sinto cheiro de cigarro/palheiro e sinto falta de ar, acho uma carniça e, às vezes, saio de perto porque o cheiro me incomoda demais. Hoje tenho mais qualidade de vida, minha respiração está melhor, o que facilita até durante as minhas caminhadas”.
Efeitos e riscos
Segundo o pneumologista Frederico Castro Costa Póvoa, o cigarro compromete diversos órgãos.
“O cigarro afeta o corpo como um todo, causando doenças no coração, pele, pulmão e artérias, mas, sem dúvidas, os maiores prejuízos são o enfisema e o câncer de pulmão. A cessação do tabagismo traz inúmeros benefícios, como a melhora do batimento cardíaco e da pressão, reduz a chance de infarto e derrame e a chance de desenvolver enfisema e cânceres”.
Além do cigarro tradicional, especialistas alertam para os riscos do cigarro eletrônico, proibido no Brasil desde 2009, mas popular entre jovens.
“O cigarro eletrônico possui concentrações de nicotina maiores que o cigarro comum, e é modificado quimicamente paara que vicie mais rápido. (…) Ele é um lobo em pele de cordeiro, fazendo tanto mal quanto o cigarro comum”, completou Póvoa.
Ações no Tocantins
A coordenadora estadual do Programa de Tabagismo, Lenna Almeida, reforça que os fumantes podem buscar apoio em unidades de referência.
“Para os fumantes que querem parar de fumar recebam o acompanhamento especializado, precisam procurar sua unidade de referência e verificar na mesma se ofertam o programa. (…) O tratamento pode ser individual ou em grupo, dependendo do perfil do paciente e da disponibilidade dos serviços de saúde”.
Atualmente, os atendimentos são feitos em Unidades Básicas de Saúde, Centros de Atenção Psicossocial e Centros de Especialidades Médicas cadastrados no PNCT.
O impacto do tabagismo também é econômico: o SUS gasta R$ 153 bilhões por ano com doenças associadas ao uso de derivados do tabaco, enquanto apenas 5% desse valor é arrecadado em impostos sobre a venda de cigarros.
Informações: Savick Brenna/Governo do Tocantins