O mês de fevereiro é marcado pela campanha Fevereiro Laranja, voltada à conscientização sobre a leucemia, grupo de doenças malignas que afetam as células do sangue e da medula óssea. Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) indicam que o Brasil registra cerca de 11 mil novos casos da doença por ano, considerando homens e mulheres, além de aproximadamente 6 mil óbitos anuais, o que reforça o impacto da leucemia como problema de saúde pública.
A campanha tem como objetivo ampliar o acesso à informação, estimular o diagnóstico precoce e combater mitos relacionados à doença. “As leucemias são doenças complexas, que podem se manifestar de formas muito diferentes. Informar a população sobre sintomas, fatores de risco e possibilidades de tratamento é fundamental para que o diagnóstico aconteça mais cedo e com melhores chances de sucesso”, destaca a hematologista Francielle Barreto Machado, cooperada da Unimed Goiânia.
Tipos de leucemia e manifestações clínicas
Existem quatro grandes grupos de leucemia, classificados conforme o tipo de célula acometida — linfoide ou mieloide — e a velocidade de evolução da doença, que pode ser aguda ou crônica: leucemia mieloide aguda (LMA), leucemia mieloide crônica (LMC), leucemia linfoide aguda (LLA) e leucemia linfoide crônica (LLC). As formas agudas tendem a apresentar sintomas intensos e de instalação rápida, enquanto as crônicas geralmente evoluem de maneira mais lenta, sendo muitas vezes identificadas em exames de rotina.
“A leucemia linfoide aguda é muito mais frequente em crianças. Já as leucemias linfoides crônicas aparecem com mais frequência em adultos acima dos 60 anos. As demais podem acometer praticamente qualquer faixa etária”, explica Francielle. Segundo o INCA, a leucemia é o tipo de câncer mais comum na infância e, entre adultos, a incidência aumenta com o envelhecimento da população.
Sintomas, diagnóstico e fatores de risco
Os sintomas variam conforme o tipo da doença, mas nas formas agudas incluem anemia, cansaço intenso, fraqueza, palidez, falta de ar aos esforços, sangramentos espontâneos, hematomas, infecções de repetição e febre.
“Nas leucemias crônicas, o paciente pode não sentir absolutamente nada. Muitas vezes, o diagnóstico acontece em um hemograma solicitado em consulta de rotina”, afirma a médica. Ela também alerta para fatores de risco relacionados à exposição ocupacional. “A exposição a produtos mielotóxicos, como solventes, tintas, benzeno, gasolina, agrotóxicos e pesticidas, pode aumentar a incidência de leucemias. Trabalhadores que lidam com essas substâncias, especialmente sem o uso adequado de equipamentos de proteção, apresentam maior risco”, ressalta.
Tratamento e doação de medula óssea
O tratamento da leucemia depende do tipo da doença, da idade do paciente e de características genéticas das células afetadas. As abordagens incluem quimioterapia, imunoterapia, drogas-alvo e, em alguns casos, o transplante de medula óssea. “Existem leucemias que nem sempre precisam de tratamento imediato, como alguns casos de leucemia linfoide crônica, que podem ser apenas acompanhados”.
O transplante de medula óssea, especialmente o alogênico, é uma estratégia importante em diversos casos. “Ter bancos de medula com doadores cadastrados aumenta significativamente a chance de encontrar um doador compatível. Além disso, pacientes em tratamento costumam necessitar de transfusões frequentes de sangue e plaquetas, o que torna a doação de sangue um apoio essencial ao tratamento e à sobrevida desses pacientes”, afirma a especialista.
Conscientização e relatos públicos
A campanha também ganha visibilidade por meio de relatos públicos de enfrentamento da doença, como o da empresária e influenciadora Fabiana Justus, que compartilhou o diagnóstico, o tratamento e a cura. Para a hematologista, esse tipo de exposição contribui para ampliar a conscientização. “Essas histórias mostram que a leucemia tem tratamento, que a ciência avançou muito e que o diagnóstico não é uma sentença definitiva. Informação salva vidas”, conclui.
Informações: Kasane Comunicação