A maior feira agrotecnológica da região Norte, a Agrotins, iniciou sua edição de 2026, nesta terça-feira (12), em um cenário desafiador. O evento ocorre em meio aos reflexos da crise no agronegócio no Brasil, caracterizada pelo endividamento rural, baixos lucros apesar das altas produções, e o aumento expressivo nos pedidos de recuperação judicial. Esse clima de incerteza econômica levou, inclusive, expositores tradicionais a optarem pela ausência no evento este ano.
Atualmente o agronegócio enfrenta uma liquidez sistêmica. De acordo com o Banco Central, houve um aumento de 7,3% na demanda por crédito rural este ano. No Tocantins, embora a Secretaria de Agricultura (SEAGRO) registre a marca de 10 milhões de toneladas de grãos e um crescimento de 19,4% nas exportações em 2026, esse avanço no crédito sugere que o lucro não está ficando com o produtor.
Somado a isso, dados da Serasa Experian mostram que o setor registrou 1.990 pedidos de recuperação judicial no país em 2025, uma alta de 56,4% em relação ao período anterior. Esse cenário indica que o produtor tocantinense vive uma pressão financeira: apesar de possuir patrimônio e alta produtividade, o lucro está limitado.
Grandes expositores tradicionais da Agrotins, como New Holland, John Deere, Uniggel e Case, optaram por não participar da feira este ano, entre outros. Essa ausência reflete uma postura de cautela diante do cenário de baixo lucro e altos custos operacionais que o agronegócio enfrenta.
O Jornal Primeira Página solicitou ao Governo do Tocantins a lista oficial de expositores da 26ª Agrotins. O órgão informou que a relação só será disponibilizada nesta quarta-feira, 13.
Infraestrutura
Com mais de 25 anos, a Agrotins se consolidou na região Norte, mesmo assim o evento contrasta com uma estrutura que parou no tempo. Quem visita o parque de exposições ainda enfrenta dificuldades antigas: sinal de telefonia instável, internet precária, acesso rodoviário perigoso e uma logística de deslocamento interna cansativa. Nem todo o local ainda conta com asfalto.
As falhas na comunicação são um dos pontos mais críticos para quem trabalha ou visita o local. Uma visitante, que preferiu não se identificar, relatou dificuldades básicas de conectividade que prejudicam o fluxo de negócios.
“O sinal de telefone, nem a internet, não funcionou plenamente. Demorou para ser instalado e, mesmo depois, sofreu quedas constantes. Entendo que a localização é afastada, mas a entrega deixou a desejar”, afirmou. Também costuma existir problemas com o fornecimento de água e energia na feira. O fato de que o retorno dos custos nem sempre compensa, vem afastando ainda os investidores.
Além da tecnologia, a organização locacional da Agrotins também gera reclamações. A falta de um mapeamento claro dificulta a orientação do público entre os estandes.
Para a visitante, as placas nas alamedas não são suficientes para guiar o fluxo. “Senti falta de mapas estratégicos para localizar a praça de alimentação, os banheiros e os estandes específicos, tanto de empresas quanto do governo. A sinalização atual ainda precisa melhorar muito para ser funcional”, conclui.