A senadora Dorinha Rezende (União Brasil-TO) protocolou pedido para incluir sua assinatura no requerimento de criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os ministros do STF, Dias Toffoli, Alexandre de Moraes, e o banqueiro Daniel Vorcaro, somente após a publicação da reportagem do Jornal Primeira Página, em 11 de março. O requerimento dela solicitando a inclusão do seu nome tem data de 12 de março.
A reportagem apontava que os três senadores do Tocantins — Dorinha, Eduardo Gomes e Irajá Abreu — não constavam entre os parlamentares que haviam assinado o pedido de CPI articulado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE) no Senado.
Após a repercussão negativa da matéria entre eleitores do Tocantins, a senadora Dorinha apresentou requerimento solicitando a inclusão de sua assinatura no pedido de investigação. Este requerimento foi enviado para a redação do Jornal Primeira Página.
Duas CPIs diferentes
A discussão ocorreu em meio à existência de duas comissões diferentes relacionadas ao caso do Banco Master.
A primeira é uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), que envolve deputados e senadores, protocolada no Congresso Nacional em 3 de fevereiro de 2026. Nessa comissão, segundo o próprio levantamento publicado pelo jornal na reportagem, a senadora Dorinha assinou o requerimento.
A segunda é uma CPI no Senado, protocolada pelo senador Alessandro Vieira na segunda-feira, dia 9 de março, após a divulgação de novas informações sobre o caso Master e os ministros do STF, incluindo mensagens trocadas com Daniel Vorcaro e reportagens publicadas por veículos da imprensa nacional. Esta CPI não é mista, sendo exclusiva do Senado.
Foi justamente nessa segunda CPI, voltada à investigação das relações envolvendo Toffoli, Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, que não constava a assinatura dos três senadores tocantinenses, conforme verificação feita junto ao gabinete do próprio senador Alessandro Vieira, autor da CPI, que forneceu a lista completa e mais recente dos nomes que assinaram.
Contato prévio com a assessoria
Antes da publicação da reportagem de 11 de março, o Jornal Primeira Página entrou em contato com a assessoria de imprensa da senadora, por meio da jornalista Cidiane Carvalho, solicitando posicionamento sobre o assunto.
Foram enviadas mensagens e realizada ligação para o telefone da assessora, que não respondeu aos questionamentos nem atendeu à chamada até o fechamento da matéria. Por esse motivo, a reportagem foi publicada informando que o espaço permanecia aberto para manifestação da parlamentar.
Postagem nas redes sociais
Após a publicação da reportagem, perfis da senadora Dorinha nas redes sociais passaram a classificar a informação como “fake news” e atribuir a publicação a adversários políticos, usando como estratégia a assinatura feita na primeira CPMI do Banco Master.
Em comentários feitos nas redes sociais do jornal e da jornalista Sandra Miranda, que publicaram a matéria, também foram postadas mensagens com o perfil da senadora afirmando que a informação seria fake news, “porque Dorinha assinou a de fevereiro”.
A reportagem se baseou em dados públicos e em consulta direta ao gabinete responsável pela CPI no Senado, indicando que a ausência da assinatura da senadora naquele momento correspondia à realidade dos registros oficiais.
Reconhecimento do gabinete
Posteriormente, em contato com o jornal, a senadora Dorinha informou que não tinha conhecimento das publicações feitas em seu perfil nas redes sociais e determinou a retirada das postagens e comentários que classificavam a reportagem como falsa.
Em nota enviada na tarde desta sexta-feira, a senadora reconheceu que, no momento da publicação da reportagem do Jornal Primeira Página, a assinatura dela ainda não estava disponível para consulta, afirmando que, portanto, a reportagem não se tratava de fake news.
Íntegra da Nota
Para esclarecer os fatos: a senadora Dorinha assinou, no dia 2 de fevereiro, o pedido de criação da CPMI (Câmara e Senado) do Banco Master.
Também assinou o requerimento de CPI do senador Alessandro Vieira, que versa sobre Toffoli e Moraes, que ainda não teve seu processo de instalação concluído pela Mesa.
Ressaltamos que, no momento da publicação da reportagem do Jornal Primeira Página, de Palmas, Tocantins, a assinatura da senadora ainda não estava disponível para consulta, e portanto não foi uma fake news.
Assim, esclarecemos os fatos, não havendo mais espaço para matérias ou comentários que não correspondam à realidade. Com todo respeito ao trabalho da imprensa e compromisso com a transparência, seguimos à disposição.
Senadora Dorinha Rezende