A cirurgia realizada em uma paciente de 112 anos no Hospital Geral de Palmas (HGP), após fratura no fêmur, exigiu avaliação clínica detalhada e planejamento cirúrgico específico devido à idade avançada. Em entrevista ao Jornal Primeira Página, a ortopedista Dra. Thayane Cabral, responsável pelo procedimento, explicou os cuidados adotados pela equipe e os riscos envolvidos nesse tipo de intervenção.
Segundo a médica, a paciente apresentou fratura transtrocanteriana, localizada na região proximal do fêmur, uma lesão comum em idosos após quedas.
“Trata-se de uma fratura do fêmur proximal. O tratamento foi cirúrgico, utilizando uma haste cefalomedular, que passa por dentro do osso e fixa a fratura na cabeça do fêmur”, explicou.
Cirurgia durou cerca de uma hora e meia
De acordo com a ortopedista, o procedimento durou cerca de uma hora e meia e apresentou maior grau de complexidade porque a paciente já havia sofrido fratura semelhante meses antes.
“A paciente já tinha uma fratura anterior que consolidou de forma inadequada. Chamamos isso de fratura viciosamente consolidada, quando o osso cola em posição incorreta”, afirmou.
Segundo a médica, foi necessário corrigir o alinhamento da perna durante o procedimento.
“Precisamos restabelecer o comprimento e o alinhamento do membro para evitar que a perna fique encurtada ou rodada para fora”, explicou.
Avaliação médica antes da cirurgia
Antes da realização da cirurgia, a paciente passou por uma avaliação clínica detalhada para identificar possíveis riscos relacionados à idade.
“Antes de operar um paciente de idade tão avançada, fazemos uma avaliação cardiovascular completa com cardiologista para estratificar o risco cirúrgico”, disse.
A análise define se o procedimento apresenta risco baixo, moderado ou elevado.
“Quando o risco é muito alto, conversamos cuidadosamente com a família, porque existe a possibilidade de complicações durante ou após a cirurgia”, explicou.
Cirurgia evita complicações graves
Apesar dos riscos, a médica explicou que a cirurgia costuma ser a melhor alternativa em casos de fratura de fêmur em idosos.
“Se o paciente não opera, ele pode ficar de dois a quatro meses acamado. Isso aumenta muito o risco de trombose, embolia, pneumonia e broncoaspiração”, afirmou.
Segundo ela, a fixação da fratura permite que o paciente volte a se movimentar mais cedo.
“Com a cirurgia, o paciente consegue sentar, se alimentar melhor e iniciar a mobilidade precoce, o que ajuda a evitar essas complicações”, disse.
Recuperação pode levar cerca de 40 dias
A consolidação inicial da fratura pode levar entre 30 e 40 dias, período necessário para que o osso se estabilize.
Entre as possíveis complicações estão trombose, infecção e problemas relacionados à fragilidade óssea, comum em pacientes idosos.
Para reduzir esses riscos, medidas preventivas são adotadas no pós-operatório.
“Utilizamos anticoagulantes, meias de compressão e antibióticos profiláticos para prevenir trombose e infecções”, explicou a médica.
Caso pode se tornar recorde mundial
A paciente, Isabel Gomes, sofreu a fratura após cair dentro de casa. O hospital informou que encaminhará a documentação ao Guinness World Records, já que ela pode se tornar a pessoa mais idosa do mundo a passar por cirurgia ortopédica desse porte.
Com 112 anos e 9 meses, ela superaria o recorde anterior registrado por uma paciente do Reino Unido.