Após questionamentos sobre terceirização das UPAs, Prefeitura afirma que proposta ainda está em discussão

Após repercussões e debates durante reunião extraordinária do Conselho Municipal de Saúde de Palmas, realizada na última segunda-feira (9), a Secretaria Municipal de Saúde (Semus) informou em nota ao Jornal Primeira Página que a proposta de reestruturação das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da capital ainda está em fase de discussão e continuará sendo debatida com diferentes instituições.

A manifestação da prefeitura foi enviada após questionamentos da redação do jornal sobre a possibilidade de terceirização da gestão das unidades e sobre eventuais mudanças na lotação de servidores que atuam nas UPAs. O tema ganhou destaque após profissionais da saúde e representantes sindicais demonstrarem preocupação com o modelo em debate durante a reunião do Conselho.

Em resposta ao pedido de nota, a Semus afirmou que o encontro teve como objetivo apresentar um estudo de reestruturação das unidades e ouvir contribuições de diferentes setores ligados à rede pública de saúde.

“A Semus seguirá debatendo a proposta com o CMS, organizações sociais, sindicatos, Ministério Público Estadual e demais órgãos de controle.”

Segundo a secretaria, a proposta segue em fase de construção e novas reuniões devem ocorrer com representantes do Conselho Municipal de Saúde, sindicatos, vereadores e órgãos de controle antes de qualquer definição.

Pressão sobre as UPAs

Dados apresentados pela gestão municipal indicam que 80,9% da população de Palmas depende exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS). Com o crescimento populacional, a prefeitura projeta aumento de 8,3% na demanda por atendimentos de urgência e emergência em 2026, o que pode resultar em cerca de 870 mil atendimentos ao longo do ano.

As duas UPAs da capital foram projetadas para realizar aproximadamente 900 atendimentos diários, mas atualmente registram média de 2.232 atendimentos por dia, número cerca de 250% acima da capacidade inicialmente prevista.

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Estudo analisa mudanças na organização do serviço

Segundo a Semus, o estudo apresentado ao Conselho de Saúde busca reorganizar o funcionamento das unidades para enfrentar problemas estruturais apontados por órgãos de controle, pela imprensa e por usuários do sistema público de saúde.

Entre os pontos avaliados estão melhorias nos processos de aquisição de insumos e na contratação de serviços que já são terceirizados nas unidades, como exames laboratoriais e de imagem, além de limpeza, segurança e manutenção predial.

O estudo também prevê medidas para fortalecer o atendimento nas Unidades de Saúde da Família (USFs), incluindo ampliação do horário de funcionamento e habilitação de novas equipes, como forma de reduzir a pressão sobre os serviços de urgência e emergência.

Debate deve continuar

A prefeitura informou que o processo seguirá em discussão nas próximas reuniões do Conselho Municipal de Saúde e em encontros com sindicatos, vereadores e órgãos de controle.

Após essa etapa, a gestão municipal afirmou que pretende apresentar oficialmente à imprensa o modelo proposto para reorganização do atendimento nas UPAs da capital.

Íntegra da nota da Semus

Em reunião no Conselho Municipal de Saúde (CMS) de Palmas, nesta segunda-feira, 9, a Secretaria Municipal de Saúde (Semus) debateu uma proposta de reestruturação para as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), colhendo contribuições e dialogando para a construção desse projeto.

A reunião contou com a participação de servidores públicos, sindicatos e representantes dos prestadores de serviços à saúde, que tiveram a oportunidade de sanar dúvidas diretamente com a gestão municipal e apresentarem suas posições.

A Semus seguirá debatendo a proposta com o CMS, organizações sociais, sindicatos, Ministério Público Estadual e demais órgãos de controle. Em breve, a proposta será apresentada formalmente à imprensa, onde o Primeira Página será convidado para participar.